Educação no século 21

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A relação existente entre a educação do século 21 e a necessidade de transformação da atual sala de aula foi o tema de meu último artigo aqui na coluna. Nele, busquei selecionar cinco importantes tendências educacionais que permearam as discussões entre educadores, pesquisadores e gestores de todo o mundo, reunidos no evento SXSWedu, realizado em março nos Estados Unidos. O uso da tecnologia, desenvolvimento socioemocional, gamificação, STEM, movimento maker e programação são temas já incorporados por países que oferecem uma educação de qualidade para todos.

Canadá, Finlândia e Japão já preveem em seus currículos, de forma estruturada e intencional, o desenvolvimento de competências socioemocionais, como colaboração, responsabilidade e abertura para o novo. No Reino Unido, o ensino da programação de computadores já faz parte da grade curricular. Nos Estados Unidos, o incentivo à cultura “mão na massa”, também conhecido como movimento maker, já tem se difundido entre escolas públicas, por meio da criação de laboratórios voltados para o desenvolvimento de ideias. Como diria William Gibson, escritor norte-americano que cunhou o termo ciberespaço em 1982, “o futuro já chegou, ele só não está uniformemente distribuído”.

E onde o Brasil se posiciona diante de tudo isso? Apesar de colecionar médias tão baixas nas principais avaliações internacionais, há iniciativas já em curso em algumas redes públicas que incorporam parte dessas tendências do século 21 e que poderiam inspirar outros locais. O ensino da programação, por exemplo, já é realidade em municípios de São Paulo, do Rio Grande do Sul e de Pernambuco. Nesses lugares, estudantes do ensino fundamental desenvolvem competências como pensamento computacional ao mesmo tempo em que criam jogos e aplicativos.

No campo do desenvolvimento socioemocional, há redes públicas de ensino que já implementam no ensino médio metodologias que preveem o desenvolvimento de habilidades como colaboração, criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas a partir de uma matriz curricular baseada, especialmente, na elaboração de projetos. Já com o foco em crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, outra conhecida iniciativa é “Amigos do Zippy”, que apresenta aos alunos situações comuns ao universo infantil, como reagir a uma briga, discordar de alguém e sentir medo, ajudando crianças a lidar com suas emoções.

Com o objetivo de promover a cultura maker, o FabSocial é outro importante projeto, que busca oferecer ambientes coletivos de aprendizagem para a criação e prototipagem de ideias, adicionando conceitos de tecnologia e ciências. As oficinas, direcionadas ao público jovem, se baseiam na proposta de FabLab do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e já acontecem em diversos Centros de Educação Unificados (CEU), em São Paulo.

Portanto, precisamos urgentemente inovar e, para que iniciativas como as mencionadas acima cheguem de forma equânime à sala de aula, será preciso investir em políticas públicas baseadas em evidências, num espírito de compromisso e colaboração entre gestores, educadores, pesquisadores e sociedade em geral.

Fonte: “Isto é”, 5 de abril de 2017.

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