Que acontece quando nenhum país lidera?

As políticas de fomento econômico, seja de natureza industrial, monetária ou fiscal, tornaram-se nos últimos 5 anos crescentemente ‘individualistas’ – sinalizam um ‘renascimento’ do Estado-Nação como principal ator da cena global.

O enfraquecimento da integração econômica regional, exemplificada pelas dificuldades enfrentadas pela União Europeia, e a inadequação do FMI e Banco Mundial ante a dimensão dos desafios econômicos globais, levam a atitudes do tipo “cada-um-por-si” de grande ineficiência sistêmica.

Busca-se a retomada global com o “freio-de-mão puxado”. Nesse contexto, parece confirmar-se a análise de Ian Bremmer em seu mais recente livro “Every Nation for Itself – Winners and Losers in a G-Zero World”.

Aquilo que um país faz individualmente para consertar sua economia não é necessariamente bom para a economia global como um todo. Se na arquibancada, durante um jogo de futebol, eu ficar de pé para assistir melhor um lance mais emocionante, os que estiverem atrás de mim terão sua visibilidade prejudicada.

A flexibilização quantitativa (Quantitative Easing), promovida pelo FED, inunda o mundo com dólares que afetam a competitividade industrial de países como o Brasil. As regras leoninas de conteúdo local no Brasil influenciam negativamente aqueles que querem fazer comércio com o País. A taxa de câmbio administrada para baixo na China traz distorções (competitivas) na atratividade de seus produtos e no ímpeto (arrefecido) da demanda doméstica na China, e assim por diante.

Aquilo que um país faz individualmente para consertar sua economia não é necessariamente bom para a economia global como um todo

Muito se espera do papel da China na governança global, já que agora os chineses acumularam tantas condições objetivas para moldar o futuro da economia mundial.

Qual seria a tendência chinesa: atualizar os parâmetros das instituições criadas nos anos 40 (o FMI e o Banco Mundial)? Construir novas instituições globais que viessem a refletir o atual status chinês como superpotência econômica? Nada disso. A China desempenhará papel apenas secundário.

As autoridades chinesas argumentam que os últimos 30 anos foram extremamente favoráveis para sua arrancada econômica. Não visam portanto confronto ou reforma dramática das instituições de Bretton Woods. Acrescentam que os desafios internos chineses são ainda de tal monta que ela não comportaria assumir acrescidas responsabilidades.

Assim, falta de coordenação macroeconômica, revitalização do individualismo por parte de diferentes países e a ineficiência das instituições multilaterais projetam para a economia global um quadro de claro subdesempenho.

Em tempos recentes, a utilização de políticas industriais que favorecem conteúdo nacional deixaram de ser um “recurso pontual” de nações emergentes e passaram a ocupar o centro do debate de países maduros, de que são exemplo as campanhas presidenciais nos EUA e na França.

Apesar das pronunciadas instabilidades globais, o Brasil tem uma grande chance. Cabe utilizar suas vantagens comparativas nos biocombustíveis, agronegócio e petróleo para direcionar a economia a atividades mais intensivas em tecnologia e portanto aumentar o número de setores em que tem capacidade de competir globalmente.

Fonte: Brasil Econômico, 08/05/2012

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1 comment

  1. Antonio Carlos

    O Brasil tem potencial, mas do modo como esta sendo governado…. vai demorar muito. Falta competência ao atual governo, que fala muito e nada faz.

    Os Estados Unidos ainda vão liderar o mundo por muito, muito tempo. Ruim com os americanos? pior sem eles! ou alguém ainda acredita que com a “democradura” (democracia+ditadura)chinesa seria melhor?