Em defesa do protagonismo

O cidadão brasileiro consolidou a concepção de liberal como sendo sinônimo de um indivíduo sozinho, egoísta e livre do Estado. Indivíduos responsáveis por seus próprios atos sem cuidar de ninguém. Mas e os impostos pagos por eles?

O liberal considera que o papel do Estado democrático é garantir direitos e deveres. Estado esse que deve ser controlado pelo povo e não ao contrário. O papel do cidadão não é cuidar do Estado e sim trabalhar uns com os outros para gerar educação, emprego e saúde.

Na verdade, um indivíduo não pode agir isoladamente sem nenhuma relação com outras pessoas ou com o Estado, se vivemos juntos e trabalhamos juntos em uma sociedade. Vemos todos os dias nas redes sociais como são condenadas e julgadas pessoas que agem sozinhas sem pensar estrategicamente e sem considerar a consequência dos seus atos para a população. Os liberais consideram a cooperação tão importante quanto a competição.

Estratégias políticas e econômicas envolvem muitas pessoas. Cada umas das leis, emendas ou discursos são feitas a quatro mãos. Cada compra ou venda é feita a quatro mãos.

O planejamento estratégico é uma ferramenta gerencial primordial. A cooperação entre empresas, partidos e organizações é sempre necessária. Planejar na política, em uma organização ou empresa, consiste no estudo e na escolha de alternativas para se alcançar um objetivo de forma eficiente e eficaz, a partir da situação atual. Até sindicatos fazem reuniões estratégicas.

Portanto, o processo cooperativo deve iniciar-se pelo planejamento, delimitando os objetivos e implantando políticas organizacionais para o seu alcance, em um processo sucessivo e ininterrupto, com o monitoramento e avaliação dos mesmos.

O planejamento estratégico precisa analisar sistematicamente o que está acontecendo e o que acontecerá. Ele força as pessoas a definirem melhor seus objetivos e políticas, leva a uma melhor coordenação de seus esforços e oferece padrões de desempenho mais claros para o controle.

A crise econômica e institucional democrática no Brasil não surge de uma concepção liberal, de “gente egoísta e individualista”. O indivíduo que tenta monopolizar um tema ou um projeto está perdendo espaço para os grupos organizados com estratégias que podem, com o tempo, criar cooperação. O liberal está interessado em realizar mudanças em longo prazo.

Todo sacrifício será em longo prazo, para quem está no poder e para quem está buscando o poder. O essencial é ter liderança estratégica, baseada no viés liberal ou não, mas que tenha como objetivo criar oportunidades para a maioria. Cabe ao cidadão, ao empresário, à sociedade civil e aos políticos pensar estrategicamente na evolução de uma economia que, com o Estado quebrado, pode agora inovar com recursos privados.

Juntos devemos sair do papel de vítimas e sermos protagonistas.

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