Em se tratando de governo, menos é sempre muito mais

marcos vinicius motta

Desculpem o trocadilho batido do título, mas, em certas situações, simplesmente, não se consegue pensar em nada melhor.

Para cada problema do Brasil, surge um gênio propondo uma lei, um novo ministério ou secretaria, uma ajustada marota no orçamento do país e um imposto salvador, ou seja, mais Estado.

Tudo isso quando o que precisávamos era justamente o contrário: menos Estado. Não é possível que um país seja competitivo – e mantenha um ambiente saudável para os negócios – com tantas regulações, impostos e entraves, sem contar com as coimas, por dentro e por fora. Não é aceitável que seja tão difícil abrir uma empresa, e, mais difícil, ainda fechá-la.

Por esse motivo, é assustador que ainda se acredite que o Estado, com uma vara de condão que, até hoje, apenas mostrou sofrer algum curto-circuito, vá consertar o que ele mesmo estragou. Veja o exemplo do sistema de saúde.

Não temos remédios. Não temos aparelhos de diagnóstico. Não temos laboratórios que possam fazer, com rapidez, o volume de exames que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece e necessita. Não temos postos de saúde ou hospitais decentes. Enfim, falta tudo na tão falada “estrutura”.

E qual a solução mágica do governo petista para isso? Desinchar as instâncias burocráticas da saúde? Tentar tapar os buracos por onde as verbas escoam para os bolsos de gatunos oportunistas que sugam o sistema? Desonerar a atividade? Tornar o SUS mais atrativo para médicos e demais profissionais de saúde? Aplicar, de forma minimamente decente, os impostos escorchantes que toma do bolso do cidadão, chamando-o de “contribuinte”?

Não é possível que um país seja competitivo – e mantenha um ambiente saudável para os negócios – com tantas regulações, impostos e entraves

Nada disso! A solução é invadir a esfera pessoal da vida dos formandos em medicina e definir que eles deverão prestar um serviço civil obrigatório – petistas e aliados têm pavor do termo, mas vamos chamar o jacaré de jacaré e não de lagartixa, por favor –, determinando a residência de dois anos no SUS.

Criou-se assim a estranha situação em que as cidades do interior contarão apenas com médicos, sem disporem de nutricionistas ou dentistas, porque a falta de estrutura transformará os residentes em meros agentes de educação em saúde, dizendo para os pacientes algo mais ou menos assim:

– Você precisa vacinar seus filhos. Onde? Não sei, em algum lugar, eu só estou aqui cumprindo o meu tempo de serviço obrigatório.

E o pior é que o governo ainda vai espancar fatos e números, propagandeando que enviou não sei quantos mil médicos para o interior. Será mais um problema do Brasil “resolvido” à maneira lulopetista: com equívocos e propaganda enganosa.

Desse jeito, depois do “Mais Médicos”, vamos ter o “Mais Engenheiros”, para “interiorizar” a engenharia. Não vai ter cimento, vergalhão, tratores e uma mísera marreta, mas vai haver um engenheiro em cada cidade. Pronto! Resolvido o problema.

Ele também poderá dizer:

– Precisamos construir um sistema de esgotos eficiente. Como? Sei lá, só estou aqui para dar instruções.

Tudo isso porque um programa totalmente inovador – e eficiente – como o “Menos Companheirada Pendurada em Cargos de Comissão” parece impossível de o governo criar e implementar. Uma pena, porque, esse sim, teria aprovação popular esmagadora.

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1 comment

  1. roberto boetger

    Excelente análise, mas é pena que o povão continue a acreditar nas mentiras descaradas do Governo e do PT. Essa massa de milhões de dependentes do Estado é que mantém essa quadrilha no poder.