Autor Convidado: Diogo Costa

A inveja costuma ser subestimada como fator de motivação ideológica. Aqueles que tomam a ganância pelo pior dos males, como vampiros diante do espelho, nunca enxergam o poder da inveja. O sociólogo alemão Helmut Schoeck dizia que “o homem invejoso acha que, se seu vizinho quebra uma perna, ele próprio conseguirá andar melhor”. Uma piada análoga aos discursos populistas que prometem enriquecer os pobres empobrecendo os ricos. A não ser que se esteja promovendo o roubo, o que alguns efetivamente fazem, esse papo não passa de demagogia invejosa. O invejoso não quer somente o que o outro tem. Ele quer que o outro não tenha. Muito mais que ambicioso, o invejoso é destrutivo. A inveja não impele que, através do trabalho, a sociedade enriqueça, mas que se destrua a sociedade enriquecida. Publicamente, se esconde esse pecado egoístico vestindo a inveja com um disfarce tautológico. Revolta-se contra o capitalismo alegando ser um sistema econômico onde os pobres sofrem uma desvantagem material e os ricos possuem tudo do bom e do melhor. Ora, mas é exatamente isso que significa ser rico. Ser rico é ter tudo do bom e do melhor. É ter acesso às melhores escolas, hospitais, e bens de consumo. Ser rico não é simplesmente carregar muitas cédulas no bolso. Se dizemos que alguém que possui 100 milhões de dólares é rico, consideramos as possibilidades de consumo desse dinheiro. Entretanto, se este milionário acordar no séc. XIII, toda a sua fortuna de milhares de faces de Benjamin Franklin terá se tornado proporcional ao valor despertado pelo interesse nas gravuras. A riqueza não está na posse pecuniária em si, mas na capacidade de consumo. Dizer que os ricos possuem os melhores bens é uma redundância. Ser contra esse fato é ignorância invejosa. Ricos e pobres não são exclusividade do capitalismo. Qualquer economia tem seus ricos. No feudalismo, os ricos eram os nobres. No comunismo, os membros do partido. A diferença é que no livre mercado os membros da sociedade elegem seus ricos em vez da riqueza ser exclusiva de um grupo aristocrático. Ela troca de mãos continuamente. A escolha de quem deve ser materialmente recompensado na sociedade cabe aos consumidores. São eles que, ao escolher o que comprar e não comprar, estão numa eleição permanente, votando em quem eles consideram fazer o melhor uso dos recursos, e penalizando os piores competidores. A riqueza, no mercado livre, não se conquista com um título de nobreza, nem entrando para o partido. Adquire-se provendo a sociedade com o que ela mais deseja. A diferença entre a riqueza de Bill Gates e Fidel Castro é a diferença entre o mercado livre e o não-livre. Fidel conseguiu sua riqueza com armas, compulsoriamente pilhando o próprio povo. Gates precisou conquistar milhares de consumidores, oferecendo produtos os quais consumidores do mundo inteiro estiveram dispostos a comprar. No mercado livre ocorre justamente o contrário da afirmação de Schoeck. Quanto mais saudável está nosso vizinho, melhor conseguimos andar. Vizinhos pobres significam menores possibilidades de comércio. As interações no mercado ocorrem porque as duas partes esperam sair melhor delas. Mesmo que uma parte saia ganhando mais que a outra, quanto mais se permite que os indivíduos interajam livremente no mercado, mais generalizado é o enriquecimento (como explicou João Accioly neste artigo. Os países que têm os pobres mais ricos são os economicamente mais livres. Neles, a renda anual dos 10% mais pobres é de 6.451 dólares, contra uma renda de 1.185 dólares nas nações menos livres. O enriquecimento em si não produz nenhum dano colateral quando ocorre de forma livre e voluntária, através da produção e do comércio. Se, pelo contrário, ele se baseia na compulsão, através de tributação redistributiva, concessão de privilégios, ou de armações monetárias, aí sim, há injustiça. Uma sociedade não empobrece porque existem muitos ricos, empobrece quando há muitos ladrões invejosos.

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