O sistema educacional brasileiro precisa ser revisto com urgência. Historicamente, a maior parcela do baixo investimento público em educação, destina-se as escolas superiores, notoriamente, um reduto de alunos com renda per capta elevada. Portanto, a opção deveria ser a alocação eficiente de recursos nas escolas primárias e secundárias, estimulando o nível superior para parcerias com o mercado privado.

No entanto, o que se observa é o enfraquecimento das universidades, comprovado pelos baixos resultados alcançados nas avaliações do Ministério da Educação.

Logo, este assunto deveria ser interpretado como uma questão nacional. Trata-se do futuro do país e da manutenção da sua competitividade. Enquanto as organizações exigem candidatos para vagas de emprego com excelentes qualificações, o enfraquecimento do alunado é periclitante.

Em muitos ambientes acadêmicos, os alunos são tratados como clientes, exigindo dos professores um ensino duvidoso e com baixos níveis de aprendizado. Ao mesmo tempo, os profissionais do ensino vêm sendo selecionados, sem a exigência de experiência prévia e titulação de pós-graduação. O que estes novos professores teriam para ensinar? E os alunos, o que estariam aprendendo?

Hoje, professor que pauta pelo rigor acadêmico é passível de demissão, devendo assumir uma postura menos “malvada” e mais “boazinha”, pois o ideal é manter o volume de entrada e saída de alunos, devido à necessidade de caixa.

Outro fator que deve ser analisado é a supervisão em relação aos cursos de pós-graduação. Existe uma proliferação dos conhecidos cursos de “MBA”, do qual a propaganda enganosa por qualidade camufla uma fábrica de diplomas, com baixa capacidade analítica e para geração de conhecimento técnico pelos alunos, com honrosas exceções no mercado.

As escolas devem ser encaradas com mais seriedade, com o investimento sendo feito na constante revisão dos programas educacionais propostos, nas instalações e principalmente nos professores. Estes últimos, que vem sofrendo um processo de achatamento salarial, desestimulando por vezes, a sua presença em sala de aula, com a retenção dos melhores talentos por grandes empresas privadas.

Outro ponto importante deveria ser uma maior aproximação das universidades, com as empresas privadas, para a realização de projetos de pesquisas, de patentes e até mesmo para consultorias, pois a sólida teoria deve caminhar junto com a prática. O paradigma do isolamento acadêmico deve ser eliminado, tendo como exemplo, os recursos repassados por grandes empresas para universidades americanas e européias.

Portanto, se a opção for pelo crescimento do país, a saída está em uma profunda revisão da atual proposta educacional nacional, com a adoção de novos critérios para seleção e avaliação das instituições, professores e alunos.

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