Entre o passado e o futuro

Meus caríssimos amigos Míriam Leitão e João Paulo dos Reis Velloso convidam-nos esta semana, respectivamente, a revisitar o passado e a perscrutar o futuro da economia brasileira. A nossa instigante jornalista publica nesta terça-feira “Saga brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda”, sustentando que “os governos democráticos herdaram uma bomba a ser desarmada, uma herança maldita de descontrole fiscal, dívida externa e correção monetária”. Já o ex-ministro do Planejamento dirige o XXIII Fórum Nacional, em que defende “a educação de qualidade e o espírito empresarial como os pilares para o desenvolvimento de nosso país”.

Tenho enorme simpatia não só por Míriam mas também pela maior parte dos economistas por ela entrevistados, ao contrário do que minhas fustigantes críticas a seus planos mal concebidos e malsucedidos no passado possam sugerir. As disputas devem ser entre as ideias, nunca entre os indivíduos, e sempre em busca do melhor resultado para a sociedade.

Mas não progrediremos se fugirmos de uma busca pela verdade. A hiperinflação, a moratória externa, a ignomínia do sequestro da poupança devem ser atribuídas a nossos próprios equívocos no equacionamento das formidáveis pressões por gastos sociais de uma democracia emergente. O Plano Real foi uma reabilitação de nossos quadros políticos e econômicos, resgatando-nos de uma hiperinflação que revelara antes sua própria imperícia.

Ao revisitarem seus experimentos e reformularem suas convicções, o PSDB e seus economistas nos devem a mesma honestidade intelectual que cobram hoje dos quadros do PT. Pois, se insistirem em recosturar uma versão virtuosa de um passado inepto, em que até mesmo o Plano Cruzado é festejado “por criar no imaginário coletivo a crença na possibilidade de uma moeda estável”, estaremos quem sabe daqui a pouco, ante a recidiva inflacionária, celebrando após duas décadas e meia de baixo crescimento “o mais longo programa de combate à inflação da história da humanidade”.

E sim, como anuncia Reis Velloso em seu fórum, os vetores para a construção de nosso futuro são efetivamente a educação e o empreendedorismo. Mídia, telecomunicações e internet já estão em convergência com o setor educacional para garantir a universalização de conteúdo da mais alta qualidade. E nunca vi em minha longa experiência profissional uma explosão de empreendedorismo como agora ocorre no país.

Fonte: O Globo, 16/05/2011

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1 comment

  1. Jorge Matos

    Hahaha.

    É verdadeira a crítica.

    A propaganda é a alma do negócio.

    O problema é se for propaganda enganosa.

    O plano cruzado foi um plano eleitoreiro barato, que só poderia funcionar na cabeça de teóricos inocentes com o rei na barriga, ou muito mal intencionados.

    O plano real fez um ajuste fiscal muito precario.

    Aliás, os economistas tucanos não tem moral nenhuma para criticar a politica fiscal desastrosa do PT, pois só conseguiram segurar a inflação as custas de juros…