Dia 22 passado foi o Dia Internacional da Água, data criada para chamar a devida atenção a um problema que envolve a administração dos recursos naturais. Diferentemente da maioria das informações disseminadas na mídia, há muito que comemorar. Companhias como a AGCO, Vonpar, Fruki, Renault, e O Boticário buscam diversos métodos para economizar nosso mais importante recurso. Entre estas, se encontra a Spaipa, que engarrafa produtos da Coca-Cola e da Femsa no Paraná. A companhia desenvolveu um sistema de reuso da água pluvial em Maringá, com a adoção de calhas para coleta, cisternas para armazenamento e um sistema de filtragem de partículas para a água coletada na fabricação de bebidas. Sem deixar de passar por rigorosa análise laboratorial na produção de bebidas, a água reutilizada tem qualidade superior à oferecida pelo município (1).

Vejo com bons olhos a participação do setor privado em causas ambientais. Ele dá um norte à questão sem se perder em querelas ideológicas. O problema mundial da água não se deve a nenhuma escassez absoluta, como se fossemos condenados por nossa civilização urbano-industrial. Esta é uma premissa obscurantista e quase religiosa baseada nos <a href=”http://www.rplib.com.br/artigos_detalhes.asp?cod_texto=3792″>neodogmas ambientais</a>. O que ocorre é um brutal déficit infra-estrutural que, em países como o Brasil, leva a má administração pública a responder por quase 50% dos municípios sem saneamento básico.

Nesta paranóia coletiva que a cada dia que passa ganha terreno, em parte capitaneada por uma mídia sedenta de audiência, cheguei a ver um programa matinal em que um especial sobre o dia da água era acompanhado por alusões ao aquecimento global e imagens de meteoros atingindo a superfície terrestre! (2)  Em primeiro lugar, o suposto aquecimento global não leva, necessariamente, a escassez hídrica, muito pelo contrário. Com o aumento de temperatura, a seqüência lógica é o aumento da pluviosidade; quanto à chuva de meteoros, sem comentários…

Qualquer comentário sério em se tratando da distribuição e conservação da qualidade dos mananciais que abastecem as populações tem que partir de duas premissas mínimas:

1.    Qual é a poluição produzida e, devidamente, tratada;

2.    Como é possível planejar a ocupação evitando o adensamento populacional em níveis superiores a possibilidade de oferta do recurso em uma dada região.

Isto, só para começo de conversa. A questão é gerencial e não de um apocalipse ambiental. Como pode a América Latina, detentora das duas maiores bacias hidrográficas em volume de água no planeta sofrer com desabastecimento? Com exceção do Peru, Haiti e Barbados que mantêm uma situação de insuficiência, o continente é o mais bem servido por este recurso natural no planeta com mais de 1.700 m3/hab ao ano. Não se trata de capacidade, mas de provimento de recursos que já deveriam ser previstos em nosso orçamento.

Mas, onde se encontram os protestos de socialistas, ambientalistas, anarquistas contra os desmandos do sistema público? Não há. Sua revolta se dá contra o setor privado que, simplesmente, não é o típico gerenciador de água.

Dizer, portanto, que “a água acabará”, significa confundir alhos com bugalhos. A própria ONU alerta que o consumo global de água cresceu seis vezes no último século, taxa superior a populacional. Se isto ocorre é precisamente por que a capacidade de consumo também aumentou, o que não se refere à inexistência do recurso em si, mas sim a sua distribuição e possível escasseamento relativo futuro devido à falta de alocação de infra-estrutura.

Agora, uma perguntinha: e se a administração das águas passasse ao âmbito privado via concessões, haveria tantos desmandos?

(1)   Em dois meses, a Spaipa armazenou quase 400 mil litros d’água. Estima-se que até o final do ano sejam 3,5 milhões de litros (http://amanha.terra.com.br/ – newsletter diária no 917, 21/03/2007

(2)    Hoje em Dia da TV Record em 22 de março.

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