“Um otimista vê uma oportunidade em cada calamidade; um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade.” (Winston Churchill) Todos conhecem a história de Joãozinho e o leão. O garoto alertava que havia um leão em seu quintal, gritando por socorro para sua mãe. Esta aparecia desesperada, ofegante, mas nada de leão no quintal. Os falsos pedidos de socorro repetiram-se tanto que, no momento em que havia um leão de verdade ameaçando o pequeno João, sua mãe não mais acreditou, e o garoto foi engolido pela fera. A confiança, após tantos alertas infundados, foi perdida. Em muitos aspectos, os eternos “profetas do apocalipse” são como Joãozinho. Ambientalismo é um negócio – um lucrativo negócio. Disseminar o pânico entre os leigos rende bons frutos aos participantes deste negócio. Atualmente, a bola da vez é o aquecimento global. Não pretendo questionar se tal aquecimento representa mesmo ou não um grave risco para a humanidade. Pretendo somente levantar alguns pontos para maior reflexão. Na década de 1970, que não faz tanto tempo assim, o grande alerta dos especialistas no ramo era quanto ao esfriamento global. Várias revistas científicas bradavam sobre os sérios riscos da Terra estar esfriando, colocando a vida do homem em perigo. Isto, por si só, deveria aumentar o grau de ceticismo das pessoas em relação aos especialistas de hoje, que chegam ao limite de culpar a flatulência das vacas ou os desodorantes humanos pela “iminente” destruição do globo. Tamanho é o pânico incutido, que um dono de um carro utilitário se sente praticamente um assassino! Fatores ideológicos entram na mistura e reforçam as acusações ao capitalismo como grande culpado pelo fim do mundo. O Katrina intensificou ainda mais o tom crítico dos anti-capitalistas. Mas isso faz algum sentido? Na China, que nunca foi capitalista, algo como 900 mil pessoas morreram na enchente do rio Amarelo em 1887. Em 1931, a grande inundação do rio Yang-tse-kiang causou a morte de cerca de 3 milhões de pessoas. Enchentes mataram também cerca de um milhão de pessoas entre 1938 e 1939. Na própria América, temos que o maior número de vítimas fatais devido a um furacão foi registrado em 1900, com mais de oito mil mortos. Em 1928, outro furacão matou quase duas mil pessoas. Em termos de força, o pior furacão se deu em 1935, seguido pelo Camille, em 1969. Nesta época, o principal medo ainda era o esfriamento global. Hoje, ninguém sequer questiona a causa do Katrina: o aquecimento global. Será mesmo? Desastres naturais sempre acompanharam a humanidade. No entanto, a capacidade do homem em inovar, criar mecanismos de proteção e usar as calamidades como novas oportunidades parece infindável. Hayek alertava que nossa liberdade fica ameaçada em vários campos devido ao fato de estarmos dispostos a delegar a decisão ao “expert” de forma muito pouco crítica, sendo que ele mesmo sabe apenas poucos aspectos do problema. Hayek foi um grande defensor do conhecimento disperso entre milhões de indivíduos. Ninguém, por mais sábio que seja, pode acumular algo perto da sabedoria contida e pulverizada entre todos os indivíduos. Seus estudos têm sido bastante relevantes para reduzir a crença no governante “iluminado”, que saberia o que é melhor para todos. E a liberdade individual é a ferramenta indispensável para que esse conhecimento pulverizado transforme-se em criatividade e inovação. Pior que desastres naturais, são os desastres humanos. As experiências socialistas do século XX foram catastróficas, levando milhões para a cova. Para nos limitarmos ao fator ambiental, basta lembrarmos de Chernobyl. Isso sim deveria preocupar mais os amantes e defensores da humanidade. Mas paradoxalmente, diversos ambientalistas de hoje são justamente adeptos da ideologia socialista. São anti-capitalistas por patologia, ignorando que a condição das usinas nucleares da Coréia do Norte, onde o capitalismo nunca chegou nem perto, representa uma real ameaça. Condenam o capitalismo pelos problemas ambientais, esquecendo que as nações socialistas, em termos relativos, poluem infinitamente mais. Os profetas do apocalipse pregam ainda o fim dos recursos disponíveis na natureza. Os recursos naturais podem ser escassos, mas a forma como utilizamo-nos não. Os ganhos de produtividade ao longo dos tempos é prova disso. As transições da vela para a luz elétrica, para a energia nuclear, mostram como os homens criam riqueza utilizando cada vez menos recursos para produzir mais. E neste trajeto, sempre existiram pessimistas de plantão, pregando que a população iria crescer mais rápido que os recursos, levando todos à fome, ou que o esgotamento dos insumos seria o fim do capitalismo. Os alertas de Malthus não parecem tão infundados assim no curto prazo, quando vemos que, de fato, várias guerras pela busca mais rápida de recursos, principalmente o petróleo, têm sido a regra, não a exceção. Mas quando lembramos que a população no mundo, que estava abaixo de 2 bilhões de habitantes poucos séculos atrás, hoje passa dos 6 bilhões, temos que colocar as teorias de Malthus em xeque, no mínimo. Não devemos subestimar a criatividade humana. E de fato, onde a fome ainda é um problema, é justamente onde tal criatividade não tem espaço, em regimes autoritários, sem muita liberdade individual. As nações que abraçaram o capitalismo liberal dificilmente sofrem deste mal que assola, por exemplo, todos os países socialistas ou mais próximos do socialismo. Quando a Índia resolveu dar um tempo na sua experiência socialista e adotou reformas mais liberais, viveu sua “revolução verde”, tirando milhões da fome. Edwin Drake fez a primeira perfuração bem sucedida na Pensilvânia em 1859, achando petróleo. Poucos anos depois, já existiam especialistas alertando que a capacidade do “ouro negro” estava chegando perto do fim. Cá estamos, em 2006, e os mesmos alertas se repetem. Não sei quantas décadas a mais o petróleo tem de vida. Mas sei de uma coisa: disso o animal homem não perece! Acredito em nossa capacidade para pegar uma calamidade e transformá-la em oportunidade. Não compactuo com a escatologia de botequim, que gera satisfação ideológica aos que odeiam a humanidade – e bons lucros para alguns ambientalistas. Para mim, depois de tanta evidência de que “especialistas” erram feio – principalmente quando estão prevendo o iminente fim do mundo e pedindo mais recursos para evitá-lo – tenho razão suficiente para desconfiar de suas previsões. São como o Joãozinho. Dos últimos dez leões perigosos, eles previram uns mil. PS: Um risco muito mais grave para a humanidade que o ambiental, na minha opinião, é o choque de civilizações. A jihad que muitos muçulmanos desejam levar adiante, para exterminar do mapa todos os “infiéis”, ou seja, todos os que não são muçulmanos, me parece um risco infinitamente maior que o uso de carros utilitários. Curiosamente, vários indivíduos que condenam o capitalismo por ameaçar a vida do homem na Terra são os mesmos que consideram o fanatismo muçulmano apenas uma “diferença cultural”, pedindo tolerância com aqueles que não nos toleram. Com defensores da humanidade como esses, quem precisa de inimigos?

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