Pouco importa se a tese adotada para entender a origem da espécie humana é o Criacionismo ou o Evolucionismo. Seja com milhões ou milhares de anos de tentativas e erros, com acertos posteriores, o que fica evidente é a incapacidade de aprender com o passado e experiências alheias.

Não existe um exemplo na história da humanidade que demonstre terem sido o bom senso e a razoabilidade as bases para decisões rumo ao desenvolvimento de uma nação ou a convivência estável entre diversos grupos.

O caminhar da civilização depende da ameaça de extinção ou do interesse econômico. São estas as molas que impulsionam o evoluir dos indivíduos e suas construções sociais.

Logo, falar em aumento da inteligência e aprimoramento do único ser consciente de si mesmo nunca foi tão relativo como nos dias atuais. Se a inteligência aumentou, foi no sentido de buscar formas mais eficientes de se obter sucesso pessoal, e a percepção do próprio existir parece não ter conexão com o existir dos demais, sejam iguais, semelhantes ou de outros reinos naturais.

Interessante, ao se falar em reinos naturais, expor a verdadeira escala de dependência entre os mesmos. Temos, pois, o reino mineral, o reino vegetal e o reino animal, sendo este último dividido entre seres animais não humanos e humanos.

Na hipótese de eliminarmos o reino mineral, os demais sucumbiriam de imediato. Os minérios sustentam todos os outros reinos e estão dentro dos organismos em toda a cadeia de interdependência.

Mantendo o reino mineral e extinguindo o reino vegetal, animais, de forma geral, deixariam de existir.

Mantendo-se os reinos minerais e vegetais, mas acabando com os animais tidos como irracionais e inconscientes da própria vida e morte, estaria o ser humano condenado ao fim como espécie. Não se trata de ser vegetariano, trata-se de lembrar, de início, da importância da polinização.

Finalmente, suprimido o reino “homo sapiens”, os demais agradeceriam se pudessem. E viveriam por milênios sem nossa interferência.

Partidos políticos. Convenções. Representatividade dos povos. Em pauta assuntos que afetam a qualidade e quantidade da existência humana e a continuidade desta. Países ricos ou pobres, por certo a permanência no planeta interessa igualmente a todos. Se para cada indivíduo tal percepção é questão de lógica sem imposição de escolaridade, o que está faltando aos dirigentes de Estado?

Impróprio seria usar como critério de mitigação da importância do encontro dos governantes do mundo o eventual choque de informações acadêmicas sobre se existe ou não o risco de aquecimento global ou se o aquecimento como se apresenta é fruto ou não das mudanças impostas por nossas atividades mundanas.

O fato nítido é que não estamos representados. Nossas vontades, impulsos de solidariedade, desejos de colaborar para um mundo melhor, não encontram reflexo, sequer um fraco eco, nas decisões de nossos eleitos. E não é um fenômeno local, regional ou nacional. É uma ocorrência global. O planeta se encontra acéfalo.

Entre eco-xiitas e capitalistas selvagens, observamos os chefes de estado reunidos em confrarias destinadas a um bom vinho e algum charuto feito à mão. E pouco vale dizer que reuniões atravessaram madrugadas, se nada de produtivo e real surgiu. Acaba sendo um atestado de ineficiência e descaso para com os representados.

Chefes de Estado voltam para casa sem a pressão que sentem aqueles que dependem de seus empregos quando algo de errado ou inútil ocorre sob suas responsabilidades.

O que mais chama a atenção é  a falta de ordem nas prioridades. Sem um planeta estável, não existe sociedade. Sem sociedade, não há que se falar em economia, país desenvolvido, em desenvolvimento ou pobre. Não restará nada. E as mudanças climáticas apontam causas e efeitos, independente de quem é responsável.

Talvez a esperança resida no desejo secreto de que, tal qual num filme comercial de muitos efeitos especiais, a humanidade encontre uma solução milagrosa, no último minuto, até porque se não fosse nesse último minuto não seria milagrosa, e tudo volte a ser o que era antes.

Pois bem, não será assim. Dependemos do bom senso geral cuja melhor oportunidade se dá nos encontros internacionais de grande porte, como o Protocolo de Kyoto e a COP 15.

Caso a extinção seja o próximo passo da espécie humana, que fique registrado ser resultado não de um predador natural mais eficaz, ou se uma colisão de meteoros incomensuráveis, ou ainda de um vírus mutante, mortal e imprevisível, mas tão e somente da estupidez que faz parte das características do reino animal dito consciente.

E, fechando as considerações, importante convocar ao pensar. A representatividade já não está comprometida desde a municipalidade até os assuntos internacionais? O que está no macro, encontra-se no micro. De valores às estruturas. É preciso pensar, manter ou agir. Mas que seja pensado e compartilhado. Principalmente, o que pensa o povo em sua maioria democrática precisa ser respeitado de forma natural por aqueles que exercem os governos no mundo.

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2 comments

  1. Francisco Valmir de Freitas

    O nosso planeta vai mal, o homem não usa a sua inteligencia para presevação da fauna, e da biodivessidade, os homens não se respeitam entre eles, muito menos a naturesa, não se tem mais aquela terra em que se plantando tudo dar, tudo floresse, a poluição esta devastando o planeta terra.

  2. João Wiegerinck

    Pois é Sr. Francisco, a verdade é que qualquer coisa para ser sustentável precisa ser primeiro dentro das casas das pessoas, na família, na criação dos pais e na educação da escola. Se não for assim, fora de casa não encontraremos nada.
    Abraços.