Exemplo de transparência que vem do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá amanhã em Brasília para definir a nova taxa de juros. Mais importante do que a taxa a ser anunciada ao final do encontro é a novidade que ele representará.

Pela primeira vez na história, o Copom tornará público o voto de seus sete integrantes.

Ou seja, a direção do Banco Central entendeu que o melhor a fazer diante de um assunto tão delicado e impactante, como os juros, é divulgar a posição de cada um dos responsáveis pela decisão – em atenção ao que determina a Lei de Acesso à Informação.

O país tomará, assim, conhecimento do voto de Alexandre Tombini, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva e Sidnei Corrêa Marques sobre um assunto que diz respeito ao país inteiro.

Pela primeira vez na história, o Copom tornará público o voto de seus sete integrantes

Todos os integrantes do Copom, como se sabe, são diretores do Banco Central, o órgão responsável pela moeda. A medida é muito boa e terá influência, inclusive, sobre as discussões em torno da independência do BC, que emerge sempre que se discutem os limites e as obrigações da autoridade monetária.

Sejamos francos: a não ser para satisfação da curiosidade do mercado financeiro e de meia dúzia de jornalistas, a medida terá efeito prático quase nulo. Mesmo assim, é fundamental e deve ser defendida.

Afinal, ela revela a intenção da autoridade de não deixar dúvidas sobre o exercício de seu papel. Enquanto uns e outros se apoiam no direito constitucional de permanecer calados diante de perguntas embaraçosas, os integrantes do Copom se apegam ao dever legal da transparência para tornar públicas suas posições sobre os juros.

É positivo que o melhor exemplo de acesso à informação até agora venha de um órgão tão carrancudo quanto o BC – e é lamentável que não encontre eco no Congresso Nacional. Dentro de alguns dias, o plenário do Senado decidirá se cassa ou não o mandato do goiano Demóstenes Torres.

A despeito do esforço dos aliados do governo em mandar para o cadafalso mais algum nome vistoso da oposição e da tentativa da oposição de incluir aliados do governo na lista dos inquiridos pela CPI em curso no Congresso, Demóstenes deverá ser o único político com mandato a ser punido no rastro deste escândalo.

Qualquer outro político com comprovadas ligações com Cachoeira que venha a perder o mandato será uma agradável surpresa.

Pois bem: a única esperança de Demóstenes para salvar o seu mandato é que a decisão do plenário será tomada pelo voto secreto dos senhores senadores.

Protegidos pelo anonimato, eles podem, no limite, preservar o mandato do goiano. Como, aliás, já fizeram com outros políticos flagrados com a mão na massa. Essa é a questão.

Enquanto os senhores sisudos e, por dever de ofício, discretos do Banco Central entendem que é necessário tornar públicas suas posições, os políticos acham que não é bem assim. Tomara que o exemplo do BC se espalhe por toda a administração.

Fonte: Brasil Econômico, 29/05/2012

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