A polêmica na mídia e na base de governo em torno da CPI da Petrobras, orquestrada pela oposição, não passa disto, de uma polêmica vazia, mas que encobre interesses outros, para muitos, inconfessáveis.

Nas últimas semanas, o PT e a base de apoio do PMDB vêm pregando que o PSDB quer a privatização da Petrobras. Não acreditamos nisto. O que a oposição vem defendendo é apenas que uma empresa líder, como a Petrobras – player mundial no mercado de petróleo, negociada em bolsa e representando 19,8% do Ibovespa -, não seja encarada como uma “caixa preta”, sem transparência sobre suas operações.

Ela precisa prestar contas aos seus acionistas, ter práticas de governança corporativa, bem difundidas e aceitas. Não se trata de defender a privatização da Petrobras. No entanto, se esta empresa pública não consegue cumprir seus compromissos básicos de boa gestão e governança, a solução acaba sendo por uma profunda revisão na sua forma de atuar, avalizando se ela deve permanecer pública ou não. Apenas isto.

Aliás, o maior problema da Petrobras não é ser pública ou privada, mas sim o de estar “contaminada” por vários companheiros sindicalistas ou políticos da base de apoio do governo, sem a mínima competência para fazer parte dos seus quadros. O problema de uma empresa pública, como a Petrobras, é que ela acaba sempre sendo loteada por “figuras estranhas”, resultando em mais corrupção e tráfico de influência.

Para finalizar, a Petrobras é uma bela empresa. Tem um dos Centros de Pesquisa mais desenvolvidos do mundo, domina o know how da pesquisa de águas profundas, tem um quadro de funcionários de alto nível, mas não pode ser enxovalhada pela “arraia miúda da politica” deste país.

Por ser pública, não pode virar objeto de barganha, ou de “moeda de troca”, entre os “grupos de poder” de Brasília. Estes só têm o interesse de abocanhar os melhores nacos das diretorias “mais rentáveis”. Apenas isto.

A respeito… por que a Petrobras, que tem profissionais tão qualificados, não trata de fortalecer uma área específica para tratar do pré-sal? Por que a necessidade de se criar mais uma estatal, mais um “elefante branco”, para gerir este área? Será que a Petrobras, com seu know how de águas profundas, não teria competência para conduzir tão importante projeto?

Não é difícil responder a isto. A criação de mais uma estatal é apenas para agradar  grupos políticos que, sem nenhum critério técnico, se apoderariam dos melhores cargos. É a velha história da “privatização” do Estado, muito em voga nos dias de hoje.

É preciso lembrar que estamos às vésperas da definição de um “novo marco regulatório” para o setor de petróleo e esperamos que o Ministro Edilson Lobão esteja à altura deste momento histórico, não destruindo o projeto da exploração do pré-sal. Aliás, será que o ministro, ligado a grupos tão suspeitos, está à altura deste momento?

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