O recente relatório do Banco Mundial (da serie “Doing business in Brazil”) poderia se tornar um guia importante na busca da modernização brasileira.

Se lido com viés ideológico, poderia ser tachado como um documento preparado pela oposição, mas a instituição internacional analisa, com realismo cru e sem partidarismo, o quadro nacional sob a ótica de várias áreas de atuação, comparando sua eficiência com outros países de diversas regiões mundiais.

O Banco Mundial faz um estudo muito responsável, como se realizado sob o olhar cuidadoso de um investidor internacional que, sentado com seus diretores, decide onde fazer um investimento. Onde vamos investir? Na Turquia, no Japão ou no Brasil? Quais custos estão envolvidos no projeto, desde a compra do terreno, ao registro da escritura, à obtenção de créditos? Que tipo de legislação trabalhista está em vigor? Qual a disponibilidade de mão de obra tecnicamente treinada?

Quantos dias serão necessários para abrir a empresa? E quantos, se precisar, para fechá-la? Quantos anos serão necessários para cobrar uma dívida e receber o valor respectivo?

O Brasil, lamentavelmente, não vai bem nesses quesitos e em outros tantos do relatório. Não ir bem significa que outros países serão mais atrativos para a decisão do investidor e o nosso país contará apenas com a imensidão de seu mercado interno, sua grande capacidade de produção rural e agrícola, suas infindáveis reservas minerais e, efetivamente, se o cidadão só pensar em dinheiro, suas generosas taxas de juros.

O relatório traz em seu “core” uma mensagem de excepcional contribuição para o Brasil. O nosso dever de casa é nos tornar melhores em cada item do documento. É assumir posição de liderança nos atrativos de modernização. Nos atributos da qualificação humana.

A alegria de termos um PIB entre os dez maiores do planeta não resiste ao abatimento dos dados referentes ao IDH

A aparente dureza do relatório do Banco Mundial é uma oportunidade única na história moderna do Brasil. A análise fornece aos governantes os caminhos mais fáceis de trilhar para a obtenção de graduação máxima entre as nações para a qualificação de país receptor de investimentos.

A frase antiga “as nações não têm amigos, têm interesses” nunca foi mais atual do que nos dias de hoje. Os detentores de recursos a investir, traduzido por fábricas, lojas, serviços, infraestrutura, estão a buscar portos tranquilos para colocar suas poupanças. E os países, todos eles, focam suas atenções em oferecer porto seguro para carrear a maior soma possível de investimentos.

Muitos podem se enganar achando que os fundos internacionais procuram apenas altíssimas taxas de juros. Procuram, na verdade, uma combinação positiva entre retorno, prazo e segurança. A aversão a riscos, principalmente, políticos, caracteriza a razão maior da decisão de investir.

Ao Brasil cabe a grande decisão. Simplicidade, infraestrutura, redução drástica da burocracia e do empresariado patrimonialista, modernização dos processos administrativos, funcionamento tempestivo da Justiça, segurança jurídica e contratual, transparências das políticas públicas setoriais. Aumentar consideravelmente os recursos de pesquisa e desenvolvimento. Tornar a educação como compromisso inadiável para sair da triste situação em que a melhor universidade brasileira – USP – ocupa posição lamentável no ranking mundial. A alegria de termos um PIB entre os dez maiores do planeta não resiste ao abatimento dos dados referentes ao IDH.

Conseguir lugar de destaque nos próximos relatórios do Banco Mundial pode parecer difícil. Mas não é. O difícil é estar fora da rota dos grandes destinos e não tornar o país digno de seus filhos.

Fonte: O Globo, 29/06/2012

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