FED e especulações palacianas

Foi uma segunda-feira de desafogo nos mercados. Depois da vitória de Dilma Roussef nas eleições presidenciais muitos temiam sobre a continuidade da gestão perdulária do governo Lula, na sua segunda metade deste andato. O discurso da vitória dela desmentiu isto, afirmando que só será gasto o que for arrecadado. Bons ventos também pela maior aproximação de Palloci na composição do governo eleito. O mercado o aceita bem pela sua postura mais responsável no trato dos recursos públicos.

Palloci, no entanto, não deve ficar nem na Casa Civil, nem na equipe econômica. Mais provável que assuma o Ministério da Saúde. Preocupação maior é afastá-lo dos holofotes, visto que Lula tem planos para voltar em 2014. Fernando Pimentel, do grupo da Dilma, deve ficar com a Articulação Política e Paulo Bernardo na Casa Civil; Sergio Gabrielli continuará na Petrobras; Aloisio Mercadante, sem mandato, deve herdar o Ministério do Planejamento; José Eduardo Cardoso deve ficar no Ministério da Justiça; Luciano Coutinho no BACEN; e Henrique Meirelles com algum ministério de infraestrutura, com possibilidade para Minas e Energia. Guido Mantega pode continuar na Fazenda, mas em disputa com Nelson Barbosa, não descartando se um dos dois irem para o BNDES.

Este cipoal de especulações e desmentidos deve trazer muita especulação aos mercados. Mesmo assim, na segunda-feira, um mercado com baixa liquidez, pelo Feriado de Finados, impulsionou o Ibovespa a subir 1,26%, a 71.560 pontos, impulsionado pelas empresas de commodities. Petrobras avançou 2,48% e Vale 1,24%. Em paralelo a isto, o dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 1,708.

Nos mercados futuros de juros, as taxas mais longas fecharam em queda, pelas sinalizações de compromisso com o equilíbrio fiscal. As taxas para Janeiro de 2013, 2015 e 2017 fecharam em queda, refletindo isto.

Nos mercados globais, NY fechou em alta, com DJ subindo 0,66%, S&P 0,09% e Nasdaq 0,1% na expectativa sobre o anúncio do Fed em liberar recursos para a economia através do quantitative easing. Comenta-se na possibilidade de uma injeção de US$ 500 bilhões na economia. O dólar avançou frente ao iene, o euro recuou e o preço do barril de petróleo avançou 1,87%, a US$ 82,95.

Por fim, as bolsas europeias fecharam em suave alta, com Londres subindo 0,34%, Paris 0,2% e Frankfurt 0,05%. Contribuiu também o bom desempenho da AtividadeManufatureira da China, com 54,7 pontos em outubro, contra 53,8 em setembro.

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