Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Do flagelo às reformas

A síndrome da ilegitimidade na política e a falta de credibilidade na economia seguem estreitando os horizontes do governo de Dilma Rousseff. Por um lado, as investigações da Lava-Jato continuam inflando a já enorme indignação da classe média com Lula, a presidente e o PT, embrulhados todos como apenas um e o mesmo mal. De outro lado, a aceleração inflacionária, o aprofundamento da recessão e a escalada do desemprego em massa empurram também contra o governo a opinião pública na base da pirâmide social. Forma-se a sopa primordial do impeachment.

Na dimensão política, é concreta a ameaça de contínuo esvaziamento da sustentação parlamentar do governo. O PMDB já estava rachado quanto à questão, tendo ensaiado um plano econômico alternativo para sua operação de desembarque. Pois bem, agora o próprio PT explicita seu estranhamento com um programa em que denuncia o afastamento de Dilma de sua plataforma eleitoral. Pouco importa no momento o mérito das propostas oferecidas. Nem mesmo se tudo não passa de um “showmício” pré-eleitoral, considerando-se o inacreditavelmente hipócrita pedido de defesa da Petrobras pelo presidente do PT. O que realmente importa é o ensaio de abandono da presidente pelo partido. Antes mesmo desse episódio, políticos que lhe eram próximos e confiáveis já a aconselhavam a sair do PT, patrocinar a reforma política e conduzir o necessário ajuste fiscal para resguardar sua biografia.

Na dimensão econômica, o desemprego percorre agora uma trajetória explosiva. O colapso da confiança em meio à disparada inflacionária mergulhou as empresas nos mares revoltos de uma recessão sem fundo. A indexação dos salários e os excessivos encargos sociais embutidos em obsoletas legislações trabalhista e previdenciária condenam o país ao afogamento pelo desemprego em massa.

Os diversos nós da crise atual devem ser desatados sob a forma de aperfeiçoamentos institucionais. O tráfico de influência e a corrupção a céu aberto são um desrespeito de políticos inescrupulosos e de maus empresários à população brasileira. O novo Poder Judiciário está comprometido em mudar essa situação. Espera-se ainda, para a proteção dos trabalhadores, que o flagelo do desemprego em massa nos leve à modernização da legislação trabalhista e do regime previdenciário.

Fonte: O Globo, 29/02/2016.

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