Go private!

Senhoras e senhores favor observarem os avisos de apertar os cintos de segurança. Estamos em uma área de turbulência. Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente. Não, isto não é mais um voo partindo normalmente de um aeroporto brasileiro. Este é o contexto atual das notícias relacionadas à nossa, e tantas outras, bolsas de valores.

Alguém realmente acreditou na possibilidade de um “default” norte-americano? A maior economia do mundo, com 100% de autonomia e capacidade de monetizar sua dívida e com seus títulos na base de sustentação dos ativos de fundos soberanos dos principais países do mundo iria simplesmente tornar-se insolvente? A resposta é simplesmente não. O default americano não vai acontecer, ao menos não dentro das próximas duas gerações.

Olhando para o comportamento dos mercados internacionais, dos noticiários, dos movimentos de pânico e de volatilidade das bolsas; os índices “derretendo” e tendências massivas de venda de posições eu cada vez mais acredito no lema “Go Private”. Vamos tratar do empresariado tradicional. Aquele que representa 90% do total das empresas brasileiras. Nosso macro-ambiente é positivo, nosso mercado não tem problemas de liquidez, as principais cadeias da economia brasileira vem em um importante e sólido ciclo virtuoso. Some-se a isso o fato dos níveis de desemprego baterem recordes de baixa.

Distribuição verdadeira da renda. Ascendência às classes de consumo. Demanda reprimida atendida por mais e mais produtos nacionais e internacionais. Amigos, este é o mundo dos ativos reais. O empresariado brasileiro está defendido desta loucura global ao focar na solidificação de seus esforços, de seus produtos, de seus executivos e dos seus recursos. O mercado privado de capitais movimenta cada vez uma parcela maior da economia nacional.

Nos últimos dias, em meio a uma série de notícias apocalípticas que viraram a Bovespa de cabeça para baixo, a Cremer (BOVESPA: CREM3) anuncia sua segunda importante aquisição estratégica de 2011. Uma operação na casa dos R$ 70 milhões, bem dentro do espaço que chamamos de “middle-market”. Investir em sua cadeia; consolidar. Ao mesmo tempo que é um movimento diametralmente oposto ao mercado, é muito mais alinhado com a realidade do seu alvo e do seu ambiente de ativos reais.

Duas outras empresas brasileiras que recém divulgaram excelentes números de seus balanços parciais de 2011 tiveram suas ações (e por consequência seu patrimônio) desvalorizado em níveis absurdamente desconexos à sua realidade nos últimos dias. Lucrativas, sem endividamento, com drivers de mercado excelentes, grandes curvas de crescimento e líderes em seus mercados. Por que “despencaram”?

O mesmo mundo que não sabe como a Itália fará para rolar sua dívida a vencer em agosto e setembro, trata de “desvalorizar” as projeções dos títulos da dívida a vencer em 2020. Não podem prever os próximos 30 dias mas podem assumir a tendência dos próximos 10 anos. O rolo compressor do capital especulativo e das operações de índices, swaps e derivativos em geral trazem o fantasma do “vapor” às portas do empresariado brasileiro.

Parem de ler jornais. As notícias e colunas parecem ser apenas variações das interpretações publicadas em sistemas da “Bloomberg” ou outros correlatos. Pessoas diferentes tentam explicar ao mesmo tempo as razões pelas quais a rolagem italiana, o banco central europeu ou o acordo do Obama com os republicanos são fatores líquido e certos da desconstrução da estrutura global de ativos.

E o empresário brasileiro empreendedor, que construiu seu patrimônio, que emprega, paga impostos e gera riquezas? O que ele (você) deve fazer, já que o mundo vai acabar? Programe um plano emergencial de cortes de funcionários e investimentos? Reveja seu “forecast” de produção? Cancele pedidos de matéria-prima? Não amigo. Não faça isso. Você está no mundo da produção. Você está no mercado que transaciona ativos reais. Você está no mundo que obviamente sofre as consequências desta batalha mundial do capital investidor, mas estará sempre muito distante da volatilidade, da dinâmica e da “montanha russa” do mercado aberto.

Defenda seu patrimônio ao cuidar daquilo que é mais importante. Sua vida, seus valores e sua realidade. Controle sua empresa. Pense no desenvolvimento. Mitigue seus riscos. Pense em consolidar. Abra seus olhos para uma eventual união de forças, para potenciais ofertas de capital real a ser investido na sua produção efetiva. Invista, insista, persevere… e se precisar… temporariamente e sem medo, pare de ler os jornais! O verdadeiro investidor sabe onde estão as melhores oportunidades de construção de valor. Logo ele poderá estar baterá à sua porta, quem sabe para recuperar o terreno que ele perdeu na loucura da aldeia global aberta enquanto você criava valor produzindo. GO PRIVATE!

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1 comment

  1. Uwe Werner

    Bom no ponto certo! Vamos focar e cuidar do empresário & industrial que emprega, produz, inova. Este prescisa de mais espaço e políticas consistentes,longevas,estruturais.