Como diz o dramaturgo Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”, sendo o desejo por inibir a criatividade, reprimindo a reflexão e enterrar a capacidade pelo pensamento crítico.

A frase acima poderia ser fielmente aplicada para os tempos atuais, em que o pensamento econômico é vigente e amplamente dominante na sociedade. Para os economistas, o “homo economicus” reflete o desejo por dois únicos interesses: o consumo e a capacidade produtiva. Logo, esta forma do pensamento, poderia ser reduzida a um único critério: consumo.

Ao analisar a história do pensamento econômico é perceptível a predominância de correntes filosóficas, desde a busca pelo bem estar até a separação entre “pobres” e “nobres”, com a razão central em torno dos interesses pessoais.

Dentre os fundamentos do pensamento econômico, também estariam critérios como a racionalidade, a geração do conhecimento, a capacidade pela realização de previsões e as leis da utilidade marginal, ou seja, para a obtenção do lucro.

Logo, estaria este mundo econômico correto? Aliás, agiriam as pessoas de forma correta?

Uma resposta concreta para estas perguntas, seria a busca por fundamentos psicológicos em correlação a teoria econômica. Acadêmicos como o israelita Daniel Kahneman e os americanos Gary Becker e Steven Levitt, estudam uma nova abordagem científica, intitulada como “economia experimental”, com uma visão centrada no comportamento humano.

Basta observar a dinâmica econômica mundial nos últimos anos. Desde crises sistêmicas bancárias e elevado endividamento de países da União Européia, nos últimos meses várias montadoras registraram programas de “recall”, por produzirem seus veículos, através de modelos de produção, em que o foco teoricamente seria a excelência operacional, mas na prática, com a escolha de fornecedores com baixa capacidade técnica, em busca do lucro.

Enquanto isso, o grau de satisfação humana com as condições de trabalho não são as mais favoráveis, com horas excessivas de dedicação a vida executiva e salários cada vez mais achatados.

Portanto, estaríamos caminhando para um mundo justo e correto? O modelo econômico atual é o adequado? Os recursos disponíveis no planeta são suficientes para atender a demanda mundial por produção, geração de emprego, renda e bem estar?

A resposta é  evidente pelos caminhos tomados até o momento. Enquanto critérios, como PIB, PIB per capita, inflação, empregos, entre outros, forem os únicos para medir as melhorias nas condições de vida da sociedade, o planeta está sujeito a novas intempéries.

Deve-se pensar em uma análise multicritério, com a adoção de novos fatores de decisão, envolvendo não somente o consumo e a produção, pois o raciocínio estritamente racional é perigoso, ainda mais em épocas de armas nucleares. Afirmar que o crescimento do PIB resulta em melhorias significativas da qualidade de vida é uma unanimidade, como dito anteriormente, “burra”.

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