Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Humanistas. Leia artigo de Sergio Lewin

Impressiona o falso conceito que alguns têm de si próprios. Dizem-se democratas, pacifistas, defensores dos direitos humanos, quando não são nada disso. Onde estão essas pessoas quando o governo propõe leis que visam subjugar a imprensa? Ou quando censura empresas que emitem relatórios negativos sobre sua gestão econômica? Não deveriam se insurgir frente a projetos de lei que atribuem a conselhos populares o desempenho de funções privativas do parlamento?

O que fica cada vez mais evidente é a falsidade e o perigo do discurso que utilizam, cheio de poderosas invocações aos direitos humanos, à democracia e ao pacifismo

São pacifistas aqueles que silenciam ou mesmo tomam parte nas ações violentas dos black-blocks? Nada do que é humano nos é indiferente, já foi dito. Mas que humanismo é este que é cego para determinadas violações e histérico para outras? Alguém já viu estes humanistas que choram só com o olho esquerdo reclamarem das atrocidades cometidas pelos regimes dos quais são simpatizantes?

Outro fenômeno interessante é como eles se ocupam de conflitos que estão bem longe. Agora mesmo, nosso governador manifestou que irá prestar solidariedade à causa palestina. Ora, o RGS, no primeiro semestre de 2014, teve 1169 homicídios, 22% a mais que no mesmo período do ano passado. Foram 15.903 casos de furtos e roubos a carros, aumento de 9%.

Será que o governador não fica um pouco constrangido ao se mobilizar para este conflito, quanto aqui existem problemas tão graves a resolver? No Oriente Médio volta e meia a guerra dá uma trégua, aqui ela não cessa nunca. Nosso Presídio Central é o pior do Brasil, são milhares de presos amontoados vivendo em condições sub-humanas e vamos querer brilhar no cenário internacional, como se fossemos modelo de civilidade?

O governo brasileiro, por sua vez, mandou chamar seu embaixador em Israel. E se os governos dos outros países se detivessem olhando as violações que ocorrem no território brasileiro, não deveriam chamar seus embaixadores também? É assim que se quer construir relações diplomáticas? Mas é na linguagem corporal e verbal que se vê o quão longe estão dos valores que dizem praticar, sempre buscando culpados e bodes expiatórios, prontos para julgar e condenar ferozmente aqueles a quem consideram inimigos.

O que fica cada vez mais evidente é a falsidade e o perigo do discurso que utilizam, cheio de poderosas invocações aos direitos humanos, à democracia e ao pacifismo, mas que, na prática, oferece à humanidade o oposto disto tudo.

Fonte: Zero Hora, 15/08/2015.

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