A relevância da indústria automobilística para a economia brasileira é enorme, devido a sua capacidade para geração de caixa, pagamento de impostos, desenvolvimento de novos postos de trabalho e remessa de valores para as suas matrizes, localizadas em outros continentes.

Aliás, a dinâmica deste setor é extremamente complexa e globalizada, devido à escolha de fornecedores em classe mundial, sendo fortemente impactada pela crise financeira originada nos Estados Unidos.

Os primeiros sinais da queda na atividade econômica já indicaram uma redução na produção e venda de veículos, com o início do processo de fusões e aquisições. Segundo dados da ANFAVEA (2009), este será um segmento predominado por apenas cinco grandes grupos no mundo, devido à necessidade por escala e para a sobrevivência no longo prazo, com a entrada agora, dos chineses neste cenário competitivo.

No Brasil, uma das soluções para o salvamento das vendas de carros foi a redução do IPI (Imposto sobre o Produto Industrializado), sendo uma ação emergencial diferente da adotada pelos Estados Unidos, que optaram pela injeção de dinheiro público no caixa das grandes empresas daquele país, com ausência de sinais de recuperação, com possíveis falências.

Porém, a redução do IPI exige algumas reflexões: por que o governo federal não inicia um verdadeiro trabalho para redução da carga tributária nacional? Seria falta de planejamento ou de pleno interesse? Quais seriam os ganhos no curto e longo prazo com a redução do IPI para a economia nacional? O que acontecerá com o setor quando o prazo do IPI zero chegar ao fim?

Para alguns especialistas, a redução do IPI foi um “apagar de incêndio”, sem grandes perspectivas futuras. Qual consumidor comprará um carro quando o IPI retornar ao seu patamar normal? A tendência é que os reflexos sejam negativos, com quedas nas vendas, ocorrendo no Brasil uma possível onda de demissões e revisões de contratos com fornecedores.

Para as empresas do segmento, atualmente, resta produzir em larga escala, com custos de produção menores, aumentando os estoques, para o atendimento de demandas futuras e preços ajustados, já que a incerteza das políticas públicas em relação à carga tributária é enorme. Basta recordar que o prazo para a isenção do pagamento do IPI foi prorrogado, devido à urgência desta medida, como salvamento para um setor que pedia socorro, pelo caminhar da crise de crédito.

O Brasil é único país do mundo em que. antes de produzir, já se paga imposto. Logo, deve-se pautar por uma economia livre e de mercado, desonerando a cadeia produtiva, tendo como consequências a longo prazo o aumento do consumo, cofres públicos cheios e o cumprimento real das funções governamentais.

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