Inovação no Brasil

Em 2016, foi divulgado o resultado do Global Innovation Index, um levantamento que envolve a análise de mais de 80 variáveis de 124 países. São analisados itens relacionados a: aspectos institucionais (o ambiente político, regulatório e de negócios), capital humano e pesquisa (educação, pesquisa e desenvolvimento), infraestrutura instalada (TICs, infraestrutura geral e questões de sustentabilidade), mercado (crédito e investimento), negócios (trabalhadores do conhecimento, vínculos para inovar e absorção de conhecimentos), resultados de conhecimento e tecnologia (criação, impactos e difusão do conhecimento) e resultados criativos (ativos intangíveis, criatividade online e produtos e serviços criativos).

A posição do Brasil no índice é desanimadora. O país ocupa o 69º lugar nesse ranking de transformação do conhecimento em agregação de valor econômico, ou seja, em inovação. O resultado é muito frustrante, especialmente quando avaliamos o montante de dispêndios nacionais em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O desembolso brasileiro equivalente a 1,24% do PIB está no mesmo patamar, por exemplo, de países como Espanha e Itália e fica acima do observado na Rússia e no México.

Como pode ser observado, é insatisfatória a relação custo-benefício do processo inovativo brasileiro. No Global Innovation Index, o país tem resultado pior quando comparado, por exemplo, com Panamá, Colômbia, Chipre, Austrália e Costa Rica.

A inovação é um conceito que não foi assimilado pela sociedade brasileira ao longo das últimas décadas. Criaram-se algumas ilhas de excelência tecnológica, mas falta um sistema articulado de inovação no país. Não há um processo integrado, capaz de impor maior produtividade aos recursos aplicados em pesquisas. Faltam ligações entre os atores do processo. Ou seja, predomina uma visão linear do processo em detrimento de uma visão sistêmica.

Inovar deve ser pensado em um cenário marcado pela interação entre capital, conhecimento e empreendedorismo. Esses elementos devem atuar em um ambiente que seja capaz de captar suas ações e integrá-las para que haja eficácia em termos da produção de inovação.

Uma das principais características envolvendo a inovação refere-se à necessidade de liberdade de ação dos protagonistas do processo. Inovar requer a manutenção de um ambiente institucional que promova e estimule a geração de novos e mais sofisticados produtos e crie processos produtivos mais eficientes.

A rigidez burocrática é um grande empecilho para a inovação e está contemplada no Global Innovation Index: ela está inserida no estudo, em itens como a qualidade das normas regulatórias e a facilidade em abrir um negócio e para pagar tributos.

Liberdade e inovação andam lado a lado. É necessário haver um equilíbrio, pois a burocracia tolhe a capacidade de elaboração de políticas eficazes de inovação. A excessiva regulamentação asfixia empreendimentos e inibe a implementação de projetos. Não é simples o desafio de melhorar a situação brasileira, pois parte dos indicadores utilizados depende de alterações legislativas e de pesados investimentos em educação, infraestrutura e telecomunicações. Mas a formulação de uma agenda pactuada entre os agentes envolvidos já seria um importante ponto de partida para a melhoria da posição do país no quadro mundial.

Fonte: Jornal SP Norte, 9/06/2017.

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