Acabei de ler um livro que ficará marcado em minha alma para sempre: “A Marcha”, de Michael Stivelman. Ele deveria ser adotado em todas as escolas. É a impressionante história desse brasileiro de coração que nasceu judeu na Bessarábia, atual Romênia e viu, e viveu o holocausto por dentro.

Michael nos revela uma sórdida e pavorosa invenção para matar judeus. Sabíamos dos fuzilamentos, câmeras de gás, fome e até experiências “científicas”. Mas não de matar pela exaustão numa marcha sem destino até que indivíduos virem andrajos, meras lembranças do humano que foram e sucumbam caindo pelo caminho. Uma morte sem algoz!

O anti-semitismo é a expressão mais radical no campo do mal e da intolerância. É a besta que habita em nós. E o anti-semitismo não foi uma invenção de Hitler, como muitos imaginam. Nem muito menos uma “tarefa” da SS nazista, sozinha.

Há outro livro, “Os Carrascos Voluntários de Hitler”, de D. J. Goldhagen, que documenta a adesão e participação de uma grande parte da população alemã na humilhação e extermínio dos judeus. O livro revela que Hitler foi alguém que capitalizou e potencializou esse sentimento abjeto, que vem de séculos.

Tenho pensado muito nisso, pois vejo, por trás de várias argumentações que tentam satanizar Israel na luta contra os terroristas do Hamas, o anti-semitismo, travestido de defesa dos palestinos. Que merecem defesa e a criação de seu Estado ao lado de Israel.

Mas não se pode discutir a respeito sem considerar a ação anti-semita do grupo que humilha, massacra e destitui de humanidade até suas próprias crianças, usando-as como escudos e educando-as para a barbárie. Leiam o livro e vão encontrar também como pode haver solidariedade e compaixão até em meio ao horror. Uma flor pode nascer no pântano.

(O DIA – 12/02/2009)

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