Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
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O Brasil ainda é ‘emergente’?

Investidores de Nova York questionam se Brasil ainda é ‘emergente’

Dilma Rousseff viaja aos EUA no mais difícil contexto desde que Wall Street inventou o “lulômetro”, em 2002, para mensurar o risco financeiro do país.

Naquela época, o grande assunto eram as inconsistências políticas e macroeconômicas brasileiras. Hoje, o tema é o mesmo.

Se há 13 anos se temia o caos com a vitória da incógnita Lula, agora o sentimento é o de um país preso a uma camisa de força político-institucional.

Sem reformas, o melhor cenário possível é estampar em 2018 quatro mandatos presidenciais com crescimento médio de 2%.

Os mais otimistas entendem que a visita de Dilma aos EUA ajuda a mudar o pessimismo vigente.

A retomada do diálogo com Washington é importante. Obama, no entanto, tem na Ásia-Pacífico sua prioridade e só mais 18 meses de mandato. A agenda governo a governo que inclua acordo comercial ficará para o próximo presidente.

A ida ao Vale do Silício é instrutiva. O obstáculo à inovação no Brasil não é, contudo, o desinteresse das gigantes tecnológicas, mas o estatismo e a burocracia.

Assim, o que pode haver de mais imediatamente impactante é a reação de Wall Street.

Hoje, o nível de interesse de investidores americanos em participar de programas em infraestrutura passa por um “rescaldo”.

É um erro ver o apetite americano por concessões como panaceia

De um lado, continuação do investimento de empresas que decidiram estabelecer ou ampliar operações no país durante a “brasilmania” de 2010-11.

De outro, o subdesempenho da economia brasileira no último quadriênio –e particularmente nos últimos 12 meses– tem sido um freio a um novo fluxo de investimento estrangeiro direto (IED).

Como resultado, os investimentos atraídos a novos programas de infraestrutura se darão de maneira mais gradual do que o Brasil supõe. É um erro ver o apetite americano por concessões como panaceia.

Intervenções recentes em políticas de preço na eletricidade e na gasolina; o sucateamento das agências reguladoras e a inflexibilidade nas regras de conteúdo local continuam a desestimular investidores. Recuperar a confiança demanda tempo e inflexão de rumo por parte do governo.

Nesses próximos 18 meses haverá, contudo, significativo capital canalizado por Wall Street para M&As (fusões e aquisições). Será motivado pela combinação de fatores como o tamanho comparado da economia brasileira e o preço relativo mais baixo dos ativos no Brasil – resultante da desaceleração do PIB e desvalorização do real.

Dilma reuniu-se com titãs das finanças. Ninguém teme o pior. Falou também para grandes investidores em infraestrutura. Com base na frustrante experiência recente, ninguém morreu de amores.

A conclusão da passagem de Dilma por Nova York é que ninguém questiona o status do país como destino atraente. A dúvida é se o Brasil ainda é um mercado emergente.

Fonte: Folha de S.Paulo, 30/06/2015

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