A trajetória futura da economia brasileira será a resultante da acumulação de fatores de produção ocorrendo simultaneamente em muitas dimensões: o crescimento demográfico, a disponibilidade de recursos naturais, a acumulação de capital físico sob a forma de máquinas, equipamentos e instalações industriais, a qualificação do capital humano sob a forma de melhores níveis educacionais, as inovações tecnológicas e o aperfeiçoamento institucional – que vão desde a qualidade das políticas públicas até o capital organizacional das empresas privadas.

A demografia brasileira é favorável. A população aumenta a taxas decrescentes, afastando o pesadelo da China e da Índia, uma superpopulação de miseráveis. O ritmo suave do crescimento populacional mantém uma dinâmica saudável na oferta de trabalho, rumo a um extraordinário mercado de consumo de massa que deverá se estabilizar em torno de 220 milhões de habitantes em pouco mais de uma década. O grande desafio é aumentar sua produtividade para garantir os ganhos de renda per capita necessários à formação de uma enorme classe média emergente.

Os investimentos críticos para esses ganhos de produtividade da força de trabalho começam no setor de educação. As metas são maior empregabilidade e melhor qualificação da mão de obra. A acumulação de capital físico, as inovações tecnológicas e a maior eficiência logística desses investimentos amplificam os ganhos de produtividade já proporcionados pela educação. É essa engrenagem de acumulação simultânea que garante a contínua elevação da renda per capita.

A extração de recursos naturais exauríveis convencionais, como as reservas minerais e de petróleo, tem recebido a devida atenção nos orçamentos de investimento de grandes empresas tradicionais e de companhias recém-estabelecidas no setor. Mas há recursos essenciais, como água e energia renovável, que exigem novas ondas de investimento. O abastecimento humano e animal, os projetos de irrigação, o transporte fluvial, o potencial hidrelétrico como fator crítico de uma matriz energética limpa, que preserve o meio ambiente e viabilize o crescimento autossustentável a baixo custo, tornam os recursos hídricos um extraordinário fator de fortalecimento do mercado interno e de vantagem comparativa brasileira na economia global.

A mobilização eficiente desses recursos produtivos exigirá, por sua vez, novas ondas de investimento em logística, o software responsável pelo aumento simultâneo da produtividade dos outros fatores de produção. A crescente complexidade das cadeias de suprimento de bens e serviços torna os softwares logísticos ativos intangíveis da maior importância para um choque de produtividade na economia, permitindo obter maiores níveis de produção no país a partir de uma mesma disponibilidade de recursos em utilização. São investimentos para um futuro melhor.

(O Globo – 25/05/2009)

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