Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Joaquim Mantega ou Guido Levy?

Acabou. Lamentavelmente acabou de forma melancólica a esperança de que o Brasil pudesse levar a sério a promessa do governo de buscar um pouco de ordem à economia. O rascunho de credibilidade que Joaquim Levy tentou traçar nos primeiros momentos de sua gestão no Ministério da Fazenda desapareceu na quarta-feira passada, com o anúncio da redução da meta fiscal de R$ 66 bilhões para acanhados R$ 8,7 bilhões. Ficou comprovado, naquele momento, que o amadorismo na condução da economia visto nos quatro anos iniciais do governo Dilma Rousseff sobrevive no segundo mandato e que a equipe econômica liderada por Levy e Nelson Barbosa tem uma competência equivalente à daquela comandada por Guido Mantega e Mirian Belchior. Moral da história: tempos tenebrosos aguardam o país.

Se estivesse minimamente interessado no bem-estar da sociedade o governo não estaria tomando medidas que terão como consequência o descontrole total sobre a inflação

O grande problema que envolve o anúncio não é a medida propriamente dita, mas as razões que estão por trás da redução da meta fiscal. Três merecem destaque. A primeira delas é, talvez, a mais reveladora: a promessa de se economizar R$ 66 bilhões este ano foi feita sem que a equipe econômica estivesse a par da situação real das contas públicas. Foi, portanto, uma promessa politiqueira e irresponsável, feita com a intenção de acalmar os ânimos da sociedade às vésperas da segunda posse de Dilma Rousseff.

Ritmo despudorado

A segunda razão revela que, por mais que Levy tente vestir a fantasia de austero, ele se mostra, na prática, tão leviano quanto seu antecessor. Sim: a promessa de economia do primeiro momento baseava-se na expectativa de aumento da arrecadação e não na contenção das despesas, que vêm aumentando num ritmo despudorado desde os tempos do governo Lula. Um cálculo da RC Consultores, do economista Paulo Rabello de Castro, revela que os gastos não financeiros do governo tiveram uma expansão real de 11,5% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Como a economia está paralisada e o Planalto vê a cada dia diminuir sua capacidade de tungar a classe média para conseguir os recursos necessários para cobrir seus gastos, a solução foi avisar antes que não será possível cumprir a promessa. E que, talvez, nem dê para economizar os R$ 8,7 bilhões prometidos agora.

Imposto inflacionário

A terceira razão mostra que o governo, em lugar de pensar no futuro do país, parece mais interessado em salvar o próprio pescoço e promover uma farra com as forças que lhe restam para, quem sabe, cruzar a linha de chegada em 2018. E para não passar recibo da própria inépcia, o governo conta com a ajuda de sua base no Congresso, um jogo de cena para dizer que a medida anunciada na quarta-feira foi tomada para não comprometer os “programas sociais” em curso. Se estivesse minimamente interessado no bem-estar da sociedade, sobretudo daquela parte que está na base da pirâmide, o governo não estaria tomando medidas que terão como consequência o descontrole total sobre a inflação. Esse sim, o maior castigo que uma sociedade pode receber.

Fonte: Hoje em dia, 26/07/2015.

Um comentário

  1. E assim fui com a tomada de Bastilha, na França, o rei dotado de prestigio se afogava nos gastos desordenados e a população sufocadas. Pelo jeito daqui a pouco o povão vai voltar para as ruas e dessa vez pelo jeito o governo não vai aguentar. Antes que o País afunde de uma vez é melhor afundar o governo, com a revolução daquela época tudo mudou de uma maneira grotesca mas mudou, ou o governo começa realmente favorecer a população, ou não passará desse ano.

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