Lucros e perdas

Por ineficiência e submissão a pressões políticas, começam a ser substituídos vários diretores da Caixa Econômica e do Banco do Brasil nomeados pelo sindicalismo petista na era Lula. O aparelhamento partidário levou militantes bancários despreparados a inúmeras diretorias nos bancos públicos e, mesmo que não roubem para si ou para o partido, deram pesados prejuízos às instituições e aos seus acionistas privados e públicos – os contribuintes. A incompetência honesta dá tanto prejuízo quanto a ladroagem.

Claro que esses soviéticos não poderiam entender nada do negócio dos bancos, porque sempre os odiaram como instituição base do capitalismo e da exploração do homem. Sua missão era lutar contra o patrão ganancioso, para melhorar direitos, salários e condições de trabalho da categoria. Muito justo, mas o que a militância sindical ensina sobre administração bancária, créditos, spreads, investimentos, juros, taxas, mercado, tecnologia?

O Banco do Brasil e a Caixa concorrem com os bancos privados em busca de clientes num mercado ultracompetitivo e para conquistá-los não bastam militância, conchavos e capacidade de mobilização, é preciso competência e trabalho. Justamente o que falta a sindicalistas que ignoram a operação de bancos no livre mercado, porque passaram a vida os combatendo e sonhando com o seu fim no “grande amanhã” socialista.

Para esse pessoal o grande amanhã já chegou. Mas os bancos continuam exibindo lucros assombrosos e são mais odiados do que nunca. Como sempre, a pelegada vai gritar “é preconceito contra os trabalhadores !” e fingir que não entende as evidências dos desastres que provocam pessoas não qualificadas em diretorias de um negócio que ignoram e, por ideologia, sempre combateram.

“O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco ?”. A pergunta de Bertold Brecht era uma palavra de ordem da esquerda nos anos 70. Ainda é ?

Esses bancários que viraram banqueiros de araque, com capital alheio, simbolizam uma das mais nocivas distorções da era Lula que o novo governo começa a desmontar, em busca de eficiência e produtividade.

Fonte: O Globo, 02/05/2010

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