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Por Henrique Meirelles

Na intensa discussão travada hoje sobre como elevar as taxas de crescimento do país, é importante analisar quais são os fatores determinantes do crescimento sustentável.

A teoria econômica e estudos empíricos mostram que o crescimento é produto do investimento em capital físico e humano e do aumento consistente da produtividade (ou a capacidade de produção média dos trabalhadores).

Existe, porém, uma precondição para elevar investimentos e produtividade –a estabilidade econômica, que tem como aspecto central a estabilidade de preços, com inflação estável e na meta.

A estabilidade econômica é fundamental para dar confiança à poupança e ao investimento e garantir o bom funcionamento da economia e do sistema de preços. Ela permite o planejamento e a correta alocação dos investimentos nos setores de maior demanda e, portanto, mais úteis à sociedade.

Outro fator crítico da estabilidade é um resultado fiscal que assegure dívida pública estável ou cadente em relação ao PIB. O Estado ou o governo que gasta mais do que arrecada está tomando dinheiro emprestado para financiar despesas. E já sabemos, por experiência histórica, que essa situação leva cedo ou tarde a uma crise fiscal –quando a sociedade perde a capacidade e a confiança para seguir financiando a dívida pública.

O Estado ou o governo que gasta mais do que arrecada está tomando dinheiro emprestado para financiar despesas. E já sabemos, por experiência histórica, que essa situação leva cedo ou tarde a uma crise fiscal

O terceiro fator fundamental da estabilidade, que ficou claro com a crise de 2007/08, é a estabilidade do sistema financeiro e de crédito. Para isso, foram estabelecidas novas regulações para os bancos operarem.

Uma vez conquistada a confiança dos investidores no futuro, a estabilidade permite que se eleve o nível de investimento e que se dê os próximos passos para o crescimento sustentável.

Nessa trajetória, é preciso: 1) fornecer um nível adequado de infraestrutura e serviços públicos, para assegurar o bom funcionamento da economia; 2) garantir mercados competitivos e eficientes, com concorrência e sistemas de preços funcionando livremente; 3) elevar a qualidade do sistema educacional, visando o aumento continuado da capacitação dos trabalhadores; 4) integrar o país à economia mundial, com abertura aos mercados competitivos.

O Brasil, portanto, tem muitas oportunidades, em diversas frentes, para elevar seu crescimento. Para concretizá-las, precisamos de regras previsíveis, simples e eficazes para o funcionamento do mercado, de maior eficiência do Estado em prover serviços e de condições institucionais que fomentem a inovação tecnológica.

Assim poderemos recuperar as taxas de crescimento de 2003 a 2010 e caminhar para um nível melhor de vida para toda a população.

Fonte: Folha de S. Paulo, 19/01/2014

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