(Publicado também em O Tempo, em 18 de abril de 2007)

Beethoven e Michelangelo vendiam suas obras de arte. Gauguin, depois de algum tempo, trocou a vida na França pelo Taiti e, segundo contam, monitorava do distante paraíso exótico o valor de suas pinturas na França.

Graças ao dinheiro, artistas produziram obras de arte, algumas admiradas por tantos consumidores que ganharam o rótulo de “obras de arte universais”. A interação entre mercados e artistas não é nenhuma novidade.

A história nos mostra como mudanças tecnológicas que se refletiram nos preços dos produtos básicos para a pintura avançaram a posição das mulheres de donas de casa para a fama, sem falar no fato de que artistas se tornam mais independentes, financeiramente, com a queda de custos que os livram da dependência de algum mecenas.

O suporte financeiro de alguns artistas, inclusive, deu-lhes a liberdade de produzir notáveis exemplos de arte que chocaram seus contemporâneos.

De forma mais geral, é como diz o economista Tyler Cowen, em “In Praise of Commercial Culture” (Harvard University Press, 1998): “A relação entre divisão de trabalho e tamanho do mercado, no caso da arte, significa que o maior tamanho do mercado diminui os custos das buscas criativas dos artistas e facilita a criação de nichos de mercado (para artistas)”.

Cultura é um conceito dinâmico: crie-se um estilo próprio de pintura e logo surgirão competidores. O artista, como se diz por aí, sobrevive se consegue superar a si mesmo. Nada mais verdadeiro como se percebe, por exemplo, na evolução musical dos Beatles.

Em outras palavras, a evolução da arte é fruto da interação entre seus consumidores e os produtores. Tentativas de romper essa interação e impor uma espécie de “bom gosto oficial” nunca funcionaram (veja a Alemanha nazista de Albert Speer e Adolf Hitler).

Da mesma forma, o espaço físico de um mercado é uma maravilhosa manifestação cultural. Resume-se ali toda a trajetória da evolução humana. Ninguém “inventou” o mercado.

Ou o capitalismo. Ele é celebrado a cada vez que você compra um produto, não gosta, reclama e troca de fornecedor. Também é celebrado quando você agradece ao consumidor pela preferência e mantém ou amplia a qualidade de seus produtos.

Certos mercados de Belo Horizonte poderiam ser considerados patrimônio histórico da humanidade.

São neles que estão os empresários e trabalhadores que financiam e consomem os produtos dos artistas e que nos ajudam a escolher entre diferentes tipos de arte, com shows ao vivo (ou exposições) de gente que, de outra forma, jamais teria a chance de mostrar sua arte ao público.

Compreender a dimensão cultural do mercado e sua carametade, a dimensão econômica da arte, não apenas enriquece nossa compreensão da realidade como também nos ajuda a aprender um bocado sobre a história da humanidade.

Uma história na qual nem sempre os mais beneficiados pelo mercado souberam apreciar apropriadamente o valor do mesmo para sua carreira artística.

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