Milton Friedman

Leia análise de Paulo Guedes e saiba tudo sobre o economista

Como seus antecessores Adam Smith, Karl Marx e John Maynard Keynes, o norte-americano Milton Friedman foi um dos mais influentes economistas de todos os tempos. Recebeu a John Bates Clark Medal (1951) e o Prêmio Nobel de Economia (1976), as duas mais importantes condecorações acadêmicas concedidas por significativa contribuição ao conhecimento científico.

Em seu clássico “A metodologia da ciência econômica” (1953), tornou clara a diferença entre a ciência econômica e a economia política. A primeira seria formada por hipóteses empiricamente refutáveis, enquanto a segunda, por prescrições baseadas em juízos de valor. A ciência econômica é um instrumento para o diagnóstico da realidade, e a economia política, uma terapêutica proposta para mudar a realidade. Se as idéias de Friedman venceram o teste do tempo, foi exatamente pelo fato de que suas prescrições de economia política sempre se apoiaram no melhor da ciência econômica.

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Em sua autobiografia “Duas pessoas felizes” (1998), considera “Uma teoria da função consumo” (1957) sua mais importante contribuição teórica. Suas clássicas defesas das taxas flexíveis de câmbio, do papel dos bancos centrais no combate à inflação, da transferência de renda aos pobres com programas de renda mínima e vale-educação são exemplos de prescrições cientificamente bem fundamentadas.

Friedman é hoje cada vez mais praticado em todo o mundo. Em “Defesa das taxas flexíveis de câmbio” (1950) tornou-se um farol para a transição de um sistema de taxas fixas construído no pós-guerra para o atual sistema global de taxas flexíveis de câmbio. Outra contribuição clássica foi o esclarecimento sobre “O papel da política monetária” (1968) na atividade econômica, na inflação e na taxa de desemprego. Derrubou o falso dilema entre controle de inflação e crescimento econômico, ainda insepulto no Brasil. E antecipou em “Regras monetárias e fiscais para a estabilidade econômica” (1948), segundo o também Prêmio Nobel Robert Lucas, as modernas avaliações de alternativos regimes de políticas econômicas.

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Em “Uma história monetária dos Estados Unidos” (1963), Friedman reinterpretou a Grande Depressão como resultado de uma trágica atuação do Fed, o banco central americano, e não uma falha sistêmica das economias de mercado. O atual presidente do Fed, Ben Bernanke, na festa de aniversário de 90 anos de Friedman, pediu desculpas publicamente em nome da instituição responsabilizada pela crise. “Você estava certo, nós causamos o desastre. Mas, graças a você, não faremos aquilo de novo”, disse. Como demonstrado pela decisiva atuação de Alan Greenspan à frente do Fed no colapso da bolsa em 2000-2001.

As próprias palavras de Friedman, na obra “Quantidade ótima de moeda e outros ensaios” (1969), podem ser usadas como síntese de suas contribuições à teoria econômica: “É como um jardim japonês. Há uma unidade estética nascida da variedade, uma simplicidade aparente que esconde uma sofisticada realidade. Só podem ser plenamente apreciadas quando examinadas de muitos ângulos diferentes, e apenas quando estudadas prazerosamente em profundidade. Têm elementos que podem ser apreciados independentemente do todo, mas apenas atingem sua completa realização como parte do todo”.

Fonte: “O Globo”, 27 de novembro de 2006.

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