Mises versus Marx, a liberdade vence por nocaute

Marcus Vinicius Motta

Se economia e ciência política fossem o UFC, Ludwig von Mises seria o joelho de Chris Weidman, enquanto Marx e seus socialistas seriam a canela do Anderson Silva.

Um, defensor da liberdade, do livre mercado, da escolha pessoal. O outro, entusiasta do planejamento central, do Estado intervencionista, da transformação do cidadão em uma simples peça no Tetris de gente do coletivismo.
Quando afirma que liberdade significa “realmente liberdade para errar”, o austríaco, ressalvando a responsabilidade que a isso acompanha, quis demonstrar que cabe ao indivíduo, e somente a este, a tarefa de escolher os caminhos para a sua vida e as consequências desta escolha.

Toda vez que o Estado resolve proteger o indivíduo de si mesmo, tomando para si uma autoridade paternal e roubando do cidadão o soberano direito de ser tolo, se aproxima perigosamente do autoritarismo de regimes coletivistas como o socialismo.

Como explicou Mises, se admitimos que é aceitável proibir uma pessoa de fumar cigarros ou de beber em excesso para “o seu próprio bem”, nada impede que amanhã também consideremos justo que o governo determine o que ela pode ou não pode ler, para “proteger sua mente de más influências”.

Toda essa introdução foi para falar de uma agência reguladora do governo federal que, na minha opinião, tem se mostrado a maior agressora das liberdades individuais e a maior prova de como o Estado, sempre que pode, inferniza a vida do cidadão dizendo que só o faz “pelo seu bem”: a Anvisa.

Numa sociedade livre, é permitido que você tente convencer o outro a tomar medidas que considere melhores para ele, mas jamais que use a força para obrigá-lo a isso

Já foram proibidos pela agência itens como anéis para ronco, suco de noni, açúcar extra-fino, suplementos alimentares, chumbinho para matar ratos, tinta de tatuagem, antigripais, alimentos infantis, cigarros com sabor… A lista parece não ter fim.

Mas, nenhuma proibição é mais escandalosa do que a imposta a alguns remédios emagrecedores. Digo isso porque o uso legal dessas substâncias é mediado pela relação médico-paciente, onde cada um conhece suas necessidades e possibilidades.

Há um código de ética e leis civis para punir casos de negligência, imperícia e imprudência. No mais, fica a escolha de cada um através das orientações que o seu médico especializado oferecer.

Mas a agência resolveu que “sabe o que é melhor para ambos”, e se meteu nesta relação entre duas pessoas (o médico e o paciente) simplesmente proibindo certas alternativas de tratamento. É como se um fiscal da Anvisa invadisse a sua casa no meio da noite para te obrigar a usar fio dental.

Declarações cretinas como “basta fazer dieta e exercício”, reduzindo pessoas que sofrem com a obesidade ao velho conceito de “glutonas” e “preguiçosas”, foram dadas pelo presidente da agência, um petista de carteirinha, ignorando o fato das cirurgias bariátricas terem aumentado bastante desde a proibição.

Todos estes são aspectos técnicos e particulares a um caso, mas servem para demonstrar como o Estado não é e nem jamais será competente para decidir questões que envolvam a individualidade das pessoas e os aspectos que estejam restritos a esta.

Numa sociedade livre, é permitido que você tente convencer o outro a tomar medidas que considere melhores para ele, mas jamais que use a força para obrigá-lo a isso. Esta é a diferença entre liberdade e escravidão. Esta é a diferença entre Mises e Marx.

Se coubesse a uma agência reguladora infestada de burocratas, barnabés, parasitas e carreiristas decidir o que convém e o que não convém a cada aspecto da sociedade, talvez não existisse um Steve Jobs. Afinal de contas, “Qual a utilidade de se carregar um monte de músicas num aparelhinho dentro do bolso? Melhor mandar esse cara estudar medicina em Cuba”.

Por isso, eu digo que a esquerda é autoritária e que vivemos um período autoritário no Brasil.

Um homem livre, numa sociedade livre, acorda de manhã e planeja seu dia, sua semana, sua vida. Ele e não o governo, não uma agência do governo, não um funcionário do governo, por mais que estes jurem de pés juntos que o amam mais até do que ele mesmo.

É dele a decisão de começar a treinar para correr a maratona, de parar de fumar ou de passar a só se alimentar no Mc Donald’s.

Porque foi numa dessas decisões solitárias, individuais, que alguém um dia acordou e teve a ideia de fazer algo que mais tarde virou uma sinfonia, um quadro famoso, um carro, um avião, um iPhone e até o “Manifesto Comunista”.

Felizmente para os socialistas farofeiros e infelizmente para nós, defensores da liberdade, não existiu, entre Marx e sua obra, o equivalente a um marxista instalado num órgão do governo que dissesse a ele “isso tudo é uma grande idiotice, isso não é bom para você, vá para o campo plantar batatas”.

Ele teve o seu soberano direito de ser tolo respeitado. Que seus seguidores respeitem o dos demais.

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