Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Miséria e sangue

Os países e nações que precisaram ou precisam se recuperar de conflitos colossais, como guerras civis ou guerras mundiais, acabam aprendendo um caminho mais efetivo para a estabilização da economia e a consequente retomada do crescimento.

Impossível deixar de notar que a miséria vem se aproximando do povo brasileiro

As lições da miséria, com capítulos devotados à fome enlouquecedora, à tortura, à traição, à violência desenfreada, à morte e seus corpos como vizinhos, são comuns a todos os envolvidos. Diante de completa desesperança, a perda dos pilares éticos precede a reunião das forças até então descentralizadas para recompor uma ordem social mínima. E é dessa recomposição que brota uma sociedade renovada, com senso crítico mais apurado no que tange a escolha de seus representantes e à fiscalização das atividades destes.

O Brasil não contou com nenhuma guerra civil e, em termos de guerra mundial, a participação não causou situação de dificuldades sociais em solo nacional.

Ainda assim, o que se verifica agora é um cenário de guerra em andamento, já causando a gradual paralização da economia, a perda da credibilidade externa e interna, retorno da inflação, crise de credibilidade nos dirigentes, falta de recursos para planos públicos de crescimento e desenvolvimento, ainda que as arrecadações de tributos sejam sempre recordes.

Impossível deixar de notar que a miséria vem se aproximando do povo brasileiro, causada não por um país inimigo, tampouco por uma divisão idealista entre seus concidadãos lutando para definir qual o território de cada vertente filosófica. A miséria vem se aproximando pelas mãos dos eleitos pelo povo. Sem exceção.

Diariamente são noticiados – com provas documentais, portanto não são falácias – os ataques selvagens, sangrentos, com requintes de crueldade, com desdém e deboche, de um exército imenso e poderoso, formado pela presidente da República, seus ministros, senadores e deputados, federais e estaduais, governadores, secretários de Estado, prefeitos, secretários municipais e vereadores, além de todos os seus assessores, mancomunados com empresários que vivem da corrupção e do desvio da função pública.

Esse exército investe na desgraça do próprio país em que vive, em nome do poder, do dinheiro sem fim, do luxo desenfreado e, como não existe reação popular séria, investem também na ostentação. É um movimento na direção da miséria da coletividade.

E como sangue não vive longe da miséria, o que dizer da fome, da sede, da falta de medicamentos e recursos que geram mortes aos milhares diariamente dentro de um Brasil que arrecada mais tributos do que qualquer outro, mas não atende sua população, porque a prioridade é enriquecer suas famílias e amigos, e depois distribuir recursos do suor da população para obras em países que investem na mesma miséria econômica e intelectual, que sabotam quaisquer possibilidades de sucesso social, como Cuba e Venezuela.

O que será necessário para mudar, para educar os brasileiros em termos de reação? Quanta miséria e quanto sangue serão precisos para que a revolta chegue a amedrontar os governantes risonhos e debochados que só sabem repetir que nada sabiam, que desconhecem, que não têm culpa, apesar das pilhas e toneladas de provas documentais à disposição do Poder Judiciário?

E será ele, o Poder Judiciário, como deve ser, o fiel da balança da justiça. Se não agir com firmeza, transparência e celeridade, passará a investir no colapso do que resta da credibilidade das classes produtivas responsáveis pela estabilidade social, e aí, então, será o Brasil levado à situação da pior das guerras, porque será fruto de seus próprios filhos, uma banda de filhos bastardos do conceito de honestidade e patriotismo, mas ainda filhos.

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