Em “Colapso: como as sociedades escolhem entre o fracasso e o sucesso” (2005), Jared Diamond percorre as rotas de abrupto declínio de diversas civilizações em várias partes do mundo. O biogeógrafo atribui papel decisivo na ruína das civilizações aos desastres ecológicos causados por povos que destroem recursos ambientais dos quais dependem sua sociedade. Mas reconhece que seria absurdo atribuir todos os colapsos a desastres ambientais: “O colapso da União Soviética é um contra-exemplo moderno.” Reagindo provavelmente a interpretações de sua obra anterior, “Armas, germes e aço: os destinos das sociedades humanas” (1997), ganhadora do Prêmio Pulitzer, Diamond adverte que “este livro não prega o determinismo ambiental”. Portanto, a escolha entre o fracasso e o sucesso é possível: “Diferentes sociedades respondem diversamente a problemas similares. As respostas de cada uma dependem de suas instituições políticas, econômicas e sociais, bem como de seus valores culturais.” Diamond examina as razões da passividade das lideranças, bem como as decisões desastrosas que aceleram o declínio. “A passividade dos reis maias e dos chefes tribais na Ilha de Páscoa evidencia que sua atenção estava voltada para o próprio enriquecimento, fazendo guerras, erigindo monumentos e competindo entre si pela extração de alimentos como impostos sobre seus povos para sustentar tais atividades. Barbara Tuchman devotou seu livro ‘A marcha da insensatez’ a exemplos históricos de decisões desastrosas, atribuindo à volúpia do poder a causa fundamental da insensatez política. Na disputa pelo poder, os reis maias e os chefes da Ilha de Páscoa aceleravam o desflorestamento, pois seu Estado dependia da construção de estátuas e monumentos maiores que os de seus rivais. Eles eram aprisionados numa espiral de competição, de modo que o que gastasse menos árvores perderia prestígio e respeito.” “Como podem as sociedades decidir pelo suicídio ambiental?”, pergunta o biogeógrafo. E como podem as sociedades decidir também pela degeneração e o colapso do ambiente socioeconômico?, pergunto eu. “Nessa marcha para o declínio, há um fenômeno desconcertante: falhas no processo decisório por parte de uma sociedade inteira”, responde Diamond. Em “A sabedoria das multidões” (2004), James Surowiecki examina de forma acessível uma vasta literatura sobre a transmissão e o processamento de informações, assim como a importância da diversidade e da independência de opiniões para processos decisórios eficazes. “A diversidade cognitiva é essencial a um bom processo decisório, pois amplia o conjunto de soluções possíveis e permite visualizar os problemas por novos ângulos. Os melhores grupos de decisão são compostos de pessoas que colaboram a partir de perspectivas diversas, o que lhes permite manter sua visão independente.” O fechamento cognitivo da social-democracia brasileira reproduz a armadilha do moinho circular, designação dos biólogos para o fenômeno de formigas andando num enorme círculo por dias antes de morrerem de exaustão. O fenômeno ocorre quando as formigas de um exército perdem-se de sua colônia, mantêm a regra simples de seguir a da frente e, por azar ou por eleições sucessivas, engatam em círculo.

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