Há décadas, o Brasil desperdiça chances de elevar sua participação no comércio global, enquanto o volume internacional de transações cresce exponencialmente. Apesar de acompanhar o crescimento do total das exportações mundiais nos últimos 40 anos, a participação brasileira seguiu sempre próxima de 1% no mesmo período. A China, enquanto isso, elevou sua participação de 1% para cerca de 9%.

Entretanto, também não podemos deixar de considerar o crescimento, em termos absolutos, das vendas brasileiras para o Exterior. Desde 2000, o avanço foi de quase quatro vezes, especialmente em razão da prosperidade econômica que o mundo e o Brasil experimentaram nesse período. Porém, o resultado poderia ser melhor.

O cenário atual apresenta desafios adicionais importantes. Com a crise mundial, as dimensões de mercado se reduziram drasticamente, principalmente pela diminuição da alavancagem do mercado financeiro. O comércio mundial caiu quase 40% entre o terceiro trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. As exportações brasileiras acompanharam a tendência e registraram, entre janeiro e maio deste ano, um decréscimo de 22% em relação ao mesmo período de 2008. Consequentemente, a competição global está cada vez mais acirrada.

No Brasil, as exportações representam cerca de 25% da receita do setor industrial. Essa importante conquista do país também vem sendo atingida pela crise, especialmente em função da diminuição das exportações para os mercados norte-americano e asiático, com exceção da China.

Precisamos elevar a participação brasileira na fatia das exportações globais. Para isso, é fundamental analisar e resolver os problemas estruturais internos que freiam nossa competitividade.

O governo vem tomando atitudes positivas no que diz respeito ao mercado interno, como a redução do IPI para os segmentos automotivo e de eletrodomésticos e o plano de incentivo à habitação. Porém, faltam ainda ações mais concretas que promovam o aumento de nossa competitividade no Exterior.

Em primeiro lugar, é preciso desonerar os investimentos. Em nenhum país do mundo se pagam tantos impostos antes do início da produção como no Brasil. Além disso, exportamos tributos, o que encarece nossos produtos no Exterior. Isso poderia ser resolvido com a implantação de um sistema de compensação de impostos na exportação.

Há também os impostos que incidem sobre a folha de pagamento, que chegam a mais de 35% sobre o seu valor total. Uma economia moderna não onera a folha de pagamento de suas empresas com tributos – eles são estabelecidos sempre em relação ao consumo. Além disso, há o custo do dinheiro, que, para as empresas brasileiras, é de duas a três vezes mais caro em comparação com o mercado internacional.

A soma desses fatores encarece as cadeias produtivas, o que chega a alcançar de 12% a 20% do preço de seus produtos. A expressiva competitividade do mercado internacional não permite que a cadeia produtiva seja onerada com sequer 1%. Mudar esse cenário pode ser a diferença entre uma empresa perder ou ganhar um negócio. Nas últimas quatro décadas, temos mais perdido do que ganho. Não podemos continuar convivendo com isso, sob pena de condenar as próximas gerações a limitadas oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

(Zero Hora, 26/06/2009)

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