Mudar ou morrer

O governo Temer trava em 2017 batalhas decisivas em pelo menos três dimensões. Suas melhores chances de sucesso estão na dimensão estritamente econômica.

A economia bateu no fundo do poço, a inflação desce, derrubando os juros nominais, o dólar se estabiliza e sobe a bolsa. O andar de cima celebra no mercado financeiro expectativas de um futuro melhor, pela recuperação da previsibilidade.

A trajetória da inflação é finalmente enjaulada pelo regime de metas da política monetária. O teto de gastos para os próximos 20 anos torna-se, enfim, crível pela reforma da Previdência no front da política fiscal.

Escapando por pouco do caos e do pânico de uma visita ao inferno em 2015, o país chega ao fim de 2017 exibindo indiscutíveis avanços após a difícil transição de 2016.

A segunda batalha, bem mais longa e muito mais difícil, prossegue na dimensão social, onde o andar de baixo continua sofrendo a devastação do desemprego em massa.

Os excessivos encargos sociais e trabalhistas funcionam como armas de destruição em massa dos empregos, e principalmente nos contingentes mais vulneráveis da mão de obra: os jovens, os idosos e os menos qualificados.

A anunciada flexibilização trabalhista deve amenizar o problema, mas, a exemplo do ajuste fiscal da Previdência Social, é mais uma medida para impedir a implosão do atual regime do que reforma que promova mudança efetiva do regime trabalhista ou previdenciário.

Os “animal spirits” necessários à retomada do crescimento não serão despertados sem mudança radical no ambiente de negócios.

A conversão de empreendedores em rentistas é uma tragédia recorrente. Acabou a ilusão de promover o crescimento do país em reuniões com meia dúzia de empresários escolhidos em cada setor.

Sem criar novos empregos, o governo Temer na dimensão social continua atolado em 2017 no pântano da desesperança popular.

Mas a verdadeira batalha do fim do mundo será travada este ano na dimensão política.

Temer e seus aliados garantem a maior base de sustentação parlamentar já montada pela Velha Política. Foram escolhidos os mais aperfeiçoados espécimes dessa fauna. Evoluídos por seleção natural em selva infestada de práticas degeneradas, ou se lançam para as reformas exigidas ou ardem nas chamas renovadoras da Lava-Jato.

Fonte: “O Globo”, 13 de fevereiro de 2017.

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