No rumo de Estado total

Que tem de extraordinário que a Perdigão e a Sadia estão se fundindo numa única corporação? Nada demais, se sabemos que economias de escala e força comercial são elementos essenciais para um participante do mercado global. Há, todavia, uma questão maiúscula para a qual o caro leitor deve atentar. O problema não é a fusão em si, mas bem outra coisa, o “como” essa fusão está sendo feita.

Aqueles que acompanham o que eu escrevo sabem que de há muito venho analisando o fenômeno da formação do Estado Total nos tempos contemporâneos. Será este o fato político mais marcante e decisivo da atualidade. O Estado agigantado não solapa apenas a economia liberal, ele esmaga o indivíduo e tudo que está associado a ele, inclusive as idéias liberais e cristãs. Em outras palavras, estamos vendo os valores que formaram o Ocidente sendo destruído em larga velocidade e a dimensão econômica é uma de suas molas propulsoras.

O caso da fusão Perdigão/Sadia é emblemático para ilustrar esse processo. Quem controlará a nova sociedade? Os fundos de pensão de empresas estatais, que no momento estão sob controle dos sindicatos, juntamente com o BNDES, o braço estatal que também é controlado pelos sindicatos. E quem controla os sindicatos? O Partido (com P maiúsculo), cuja face maior e mais visível é o PT. Esse Partido nasceu do antigo PCB e é a agremiação que congrega todas as forças de esquerda, a crença satânica no socialismo.

É o Partido que controla o Estado e os sindicatos e, assim, controla as empresas. E controla as estatais, a começar pelo Banco do Brasil e a Petrobras. Vivemos em um regime de partido único. A cada momento o Estado se agiganta ainda mais, em prejuízo dos indivíduos. Para os proprietários vendedores das empresas que se fundem pode parecer um bom negócio, para a estrutura geral do sistema econômico a estatização e a sindicalização de tudo é um desastre tremendo.

E o Partido controla a Receita (e a emissão de moeda, o próprio Banco Central), que controla a vida de todos. Que controla as polícias que são a força armada que controla a vida de todos também. Que controla as empresas produtivas, que controlam os empregos de todos. Que controla os bancos, que controlam as finanças de todos. Que controla as escolas e os professores e o material de ensino, controlando assim a mente de todos. Que controla os meios de comunicação e assim dirige o processo de consciência coletivo. Rigorosamente falando, está tudo dominado pelo Partido. O desaparecimento do espaço individual de liberdade é um fato. Na esfera econômica está em vias de se completar. Na esfera política é uma realidade de há muito.

Mesmo aquelas empresas que nominalmente ainda são privadas estão subordinadas ao Partido, porque pagam muitos impostos, porque dependem de licença para tudo, tem fiscal na porta para tudo, está sujeita a todo tipo de arbítrio e regulamento e ultimamente, para piorar, os juízes e promotores julgam contra as empresas privadas por serem elas supostamente exploradoras. Qualquer vara do Trabalho tem decisões diárias contra essas empresas “exploradoras”. Tudo está dominado. Nenhum espaço de liberdade sobrou, nem fumar um cigarro agora é mais permitido. A liberdade está morrendo.

Não consola pensar que este é um fenômeno brasileiro, porque não é. Escrevi abundantemente sobre a crise atual, mostrando que na origem da mesma está o socialismo de fundo de pensão que tomou conta dos Estados Unidos. Basta lembrar que os maiores acionistas da GM são seus próprios empregados, seja pelo sindicato, seja pelos fundos de pensão, seja, ainda, pelo fundo de assistência médica dos empregados. Nos Estados Unidos, assim como na Europa, criou-se um tipo de empresa sem capitalista, a própria negação do capitalismo. Está aí a raiz da crise, porque o socialismo – único termo capaz de descrever o fenômeno – é irracional e contrário às liberdades individuais. O socialismo é um regime econômico entrópico por sua própria natureza.

Agora não apenas o petróleo é nosso, é também o frango, o porco, o que se come, o que se bebe, a casa onde se mora, o carro que se usa para andar, que este já é uma pura somatória de impostos, taxas e multas. O ideal fascista em sua plenitude foi realizado: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Bem sabemos onde vai dar essa trilha infernal.

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