Domingo, 28 de agosto de 2016
Mantenedores mantenedores

Nomes de guerra

Apelidos muitas vezes falam mais sobre as pessoas do que sua própria identidade. Frutos da maldade e do humor, ridicularizam o poder e o dinheiro, devastam reputações, abundam na política brasileira e fazem história como crítica social. Assim como nome, apelido é destino. Como o falecido ex-deputado alagoano Cleto Falcão, que as más línguas diziam meio agatunado, ser apelidado de Clepto Falcão. E o ex-governador mineiro Hélio Garcia, que seria muito chegado aos copos, de Ébrio Garcia.

Grande especialista, Brizola alcunhou Lula eternamente de Sapo Barbudo; Moreira Franco, de Gato Angorá; e Collor, de Filhote da Ditadura. ACM, o Toninho Malvadeza, apelidou Michel Temer de Mordomo de Filme de Terror. Todos merecidos e em plena vigência. Em diálogos de corruptos gravados pela PF, Sarney é chamado pelo codinome de Madre Superiora. Apelidos são até roubados, como Garotinho fez com o famoso locutor esportivo homônimo. Ou fabricados, como o Lulinha Paz e Amor, por Duda Mendonça, que abriu caminho para a vitória de Lula em 2002.

Porque assim como atrapalham, apelidos podem ajudar: Tim poderia ter o mesmo sucesso como Sebastião Maia? Lulu Santos seria um popstar como Luiz Mauricio? Alguém imagina Lobão cantando e fazendo o que faz como o roqueiro João Luiz? Grandes craques sempre tinham apelidos, Pelé, Zico, Fenômeno, nunca poderiam se consagrar como Nascimento, Coimbra ou Nazário.

A Lava-Jato trouxe uma nova leva de apelidos que fazem rir e farão história. Como Lula ser chamado de Brahma por executivos da OAS, dizem que por ser “o número um” mais do que por cervejeiro, mas há controvérsias. Sempre com uma mochila que parecia uma extensão do seu corpo, abarrotada com seus pixulecos milionários, João Vaccari Neto era conhecido como o Moch pelos pagadores debochados, que também sacaneavam Nestor Cerveró chamando-o de Lindinho, e Luiz Argôlo de Bebê Johnson, que, enjaulado, virou bebê chorão. Já Renato Duque, por seu estilo exuberante e confiante de que nunca seria pego, era o My Way, que, como Frank Sinatra, fazia as coisas do seu jeito, até que o juiz Sérgio Moro fez do dele.

Fonte: O Globo, 04/03/2016.

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