O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desistiu ontem formalmente de participar da pretendida operação de fusão dos grupos varejistas Pão de Açúcar e Carrefour, embora mantenha sua posição de colaborar com a constituição de grandes empresas de capital majoritariamente nacional.

Ao que tudo indica, o BNDES atendeu a uma ordem da presidente da República, Dilma Rousseff, tomada diante dos questionamentos acerca da real necessidade da utilização de dinheiro público em negócio eminentemente privado.

Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar e artífice da união da companhia com o Carrefour, explicou que era possível recorrer a bancos particulares para dar suporte à operação, mas a participação do BNDES poderia facilitar a aprovação do negócio pelos respectivos acionistas de cada lado envolvido.

Agora, Diniz terá de fazer jus a sua fama de arguto negociante para salvar seus objetivos na transação.

Dificilmente alguém seria contra a formação de grandes grupos nacionais, desde que isso trouxesse, de fato, benefícios à economia do país.

Subvencionar a mera concentração sem vantagens à população seria voltar aos tempos em que os militares estabeleciam quais setores “mereciam” crescer, independentemente das necessidades da nação.

Era um tipo de intervencionismo estatal do qual o compadrio era o principal critério para a liberação de verbas – e que, infelizmente, parece difícil de sair do DNA da administração pública, vide as denúncias que há décadas são feitas nas esferas que controlam os transportes no país, desde que houve a redemocratização do Brasil, em 1986, quando se descobriu uma fajutice na licitação para a construção da Ferrovia Norte-Sul, a mesma que figura nos noticiários atuais.

O Ministério da Microempresa, uma promessa de campanha de Dilma Rousseff, ainda não passou disso. Apesar da disposição da presidente de reduzir a burocracia nesse segmento, ainda é muito difícil conseguir linhas de crédito de fontes oficiais, como o próprio BNDES, apesar dos reiterados anúncios da instituição de que apoia firmemente os pequenos empreendedores.

A bolada de mais de R$ 4 bilhões que o BNDES deixou de pôr na agora suspensa operação de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour poderia ser carreada para microempresários, cuja capilaridade tem condições de proporcionar oportunidades de desenvolvimento econômico e social que não aparecerão nas manchetes de jornais, porém contribuirão para trazer benefícios muito mais concretos a um número muito maior de brasileiros.

Fonte: Brasil Econômico, 13/07/2011

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