Eram intensas as expectativas dos mercados em relação aos dois pacotes, a serem anunciados e em votação no Senado nesta terça-feira.

Primeiro, veio o pacote para o saneamento do sistema financeiro, anunciado por Timothy Geithner, secretário do Tesouro do governo recém empossado. Depois, o pacote Obama, que acabou passando de raspão no Senado, com uma votação de 61 votos a 37, sendo que três “moderados” republicanos pularam para o lado do governo.

Sobre o pacote Geithner, seu detalhamento acabou não sendo bem absorvido pelos mercados, daí as quedas profundas do Dow Jones (cerca de 5%) e um pouco mais ameno do Ibovespa (em torno de 2,1%).

No pacote, três pontos foram anunciados: a criação de um Fundo de Estabilização Financeira, com a injeção de algo em torno de US$ 500 bilhões, podendo chegar a US$ 1 trilhão para o saneamento dos balanços dos bancos. No segundo ponto, a criação de uma parceira entre o novo Fundo de Estabilização Financeira, o Fed, a FDIC (Corporação Federal de Seguro de Crédito), com a criação de um Fundo de Investimento Público-Privado; e no terceiro ponto, a recuperação do crédito para os consumidores e as empresas. Este último ponto deveria ser saudado, visto que Geithner afirmou convicto que o objetivo do plano é “salvar a sociedade e não o sistema bancário”.

No entanto, no resto, várias indagações acabaram no ar, sem uma explicação convincente. O que vai atrair para que os investidores comprem os ativos podres? Qual vai ser o seu preço? Qual vai ser a garantia do governo? Enfim, como será esta operação de incorporação dos ativos nesta parceria público-privada? Quem, realmente, irá arcar com os prejuízos? Não detalhando mais o plano e não dando maiores esclarecimentos numa rodada com os jornalistas, Geithner acabou “estressando” ainda mais os mercados nesta tarde.

Logo em seguida, veio a apertada aprovação do pacote Obama no Senado, retornando agora ao Congresso para o “aparo das arestas”. É um mega pacote de US$ 838 bilhões, que ainda carece de um maior esclarecimento, visto que a principal objeção dos republicanos é que as medidas anunciados não focarão a geração de empregos. Aguardemos os próximos lances destes pacotes, muito mal embrulhados pelas autoridades norte-americanas.

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