O GNV anda esquecido no Brasil

A partir de 2007, o aumento dos preços do gás natural no mercado doméstico e as incertezas a respeito do fornecimento de gás da Bolívia, juntamente com o incentivo à expansão da frota de veículos bicombustíveis movidos a gasolina e etanol, reverteram a forte expansão do mercado de Gás Natural Veicular (GNV), que vinha ocorrendo no Brasil desde 2000.

Assim, o volume de conversões anuais, que atingiu 272 mil veículos em 2007, caiu para apenas de 24 mil em 2012, enquanto o volume de gás consumido pelo segmento veicular, reduziu-se de um pico de 7 milhões de metros cúbicos por dia (MMm3/d), em dezembro de 2007, para cerca de 5,5 MMm3/d, em dezembro de 2012.

Atualmente, o mercado de GNV representa 11% do volume de gás natural comercializado no Brasil e apenas 2% do consumo de energéticos nos transportes.

A queda no interesse pelo gás natural como combustível para veículos automotivos acontece justamente quando o consumo dos demais combustíveis, como a gasolina e o diesel, apresentam elevadas taxas de crescimento que, por sua vez, não encontram correspondência na ampliação da oferta nacional. O resultado foi o crescimento de 73% na importação de gasolina.

A capacidade de processamento do parque de refino brasileiro já está sendo plenamente utilizada há algum tempo, enquanto o setor de etanol, que deveria funcionar como alternativa ao consumo da gasolina, vive uma profunda crise.

É necessário o reposicionamento do GNV como combustível estratégico

Some-se ao exposto, o desalinhamento dos preços dos combustíveis, que incentivou o consumo da gasolina.

Mesmo sem incentivos, a frota movida a gás natural veicular tem tido papel importante para atenuar a deterioração da balança comercial de derivados.

De acordo com dados da Abegás, em 2012, caso a frota movida a GNV utilizasse a gasolina como combustível, teria sido necessária a importação de cerca de US$ 2,4 bilhões a mais de gasolina, que se somariam aos US$ 3,05 bilhões registrados naquele ano, ou seja, um aumento de 78% nas importações.

No caso do diesel, com 10% da frota pesada nas seis principais capitais, seria possível uma redução de US$ 1,245 bilhões FOB por ano na importação deste combustível, o equivalente a dois meses de importação.

Enquanto no Brasil o GNV anda esquecido, nos Estados Unidos, empresas como a Clean Energy Fuels, a Royal Dutch Shell e a chinesa ENN estão investindo em redes de postos de abastecimento de gás natural para caminhões nas estradas norte-americanas.

A iniciativa tem como objetivo desenvolver uma infraestrutura para caminhões pesados abastecidos pelo barato e abundante gás natural. Além disso, a medida tem por finalidade se beneficiar do boom do gás de xisto nos EUA.

Frente às possibilidades de crescimento da oferta de gás, diante das reservas do pré-sal, dos campos de gás não associado e, até mesmo, da possibilidade de extração de gás não convencional em território brasileiro, é necessário o reposicionamento do GNV como combustível estratégico, a fim de que a sociedade brasileira possa se apropriar das vantagens econômicas, sociais e ambientais do uso do gás natural como combustível veicular.

Fonte: Brasil Econômico, 04/04/2013

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