“We are not trying to entertain the critics; I’ll take my chances with the public.” (Walt Disney) Filho de um fazendeiro pobre, Walt Disney começou a trabalhar muito cedo. Gostava de desenhar, e costumava antropomorfizar os animais. Tinha o espírito empreendedor americano em altíssimo grau, e com 20 anos já tinha sua própria empresa, que falira – o que não o impediu de tentar novamente. A história de Walt Disney mistura-se com o desenvolvimento da indústria de entretenimento americana. Seus valores pessoais, tais como o individualismo e a importância da família, revelaram-se ingredientes fundamentais para o sucesso da nação mais rica do planeta. Disney chegou na Califórnia em 1923, levando apenas US$ 40 no bolso. Ele teve muita dificuldade para encontrar trabalho na indústria cinematográfica, chegando a ter que pegar dinheiro emprestado até mesmo para comer. Mas tratava-se da terra das oportunidades, e de um indivíduo persistente e batalhador. Com a ajuda do irmão e de uns poucos assistentes, e com parcos recursos no bolso, seus trabalhos foram conquistando espaço pouco a pouco, e agradando o público. Disney respeitava o que era demandado pela audiência, um princípio básico que muitos, ainda hoje, ignoram, achando que as preferências podem e devem ser criadas na marra, de cima para baixo. Disney teve que se adaptar e mudar sua maneira de fazer desenhos. Chegou também a afirmar que competiu sua vida inteira, não sabendo como se sairia sem ela. Novamente, mais um conceito básico do capitalismo liberal, tanto ignorado pelos que condenam a competição, não reconhecendo que é ela que possibilita o progresso constante e a satisfação dos consumidores. O grande divisor de águas na carreira de Disney foi sua famosa criação, o Mickey Mouse. No auge de sua popularidade, em 1933, o camundongo recebeu 800 mil cartas de fãs, um recorde jamais alcançado. Observou-se que o Mickey era uma espécie de auto-retrato de Disney, e este, de fato, chegou a afirmar que o Mickey Mouse era um símbolo de independência. Em seguida ao sucesso de Mickey, para adicionar som às animações – algo que Disney considerava fundamental para o avanço da indústria – foi gasto todo o dinheiro que os irmãos Disney tinham juntado até então, e tiveram ainda que vender o carro do pai. O primeiro desenho de Mickey com som sincronizado foi exibido no início de 1928. O desenho animado sonoro havia sido inventado, um exemplo fantástico de criatividade, além do nascimento de uma nova forma de arte. O mundo não seria mais o mesmo. Walt Disney colocava a excelência antes de qualquer outra consideração e o estúdio gerava poucos lucros, apesar do sucesso retumbante, já que eram automaticamente reinvestidos no negócio – em novas tecnologias e na contratação dos melhores artistas. Além dos desenhos, Disney concebeu a idéia de um parque, desenvolvido em torno de um tema. A primeira Disneylândia foi inaugurada em 1955, na Califórnia. Fora isso tudo, o próprio Walt Disney treinou pessoalmente mais de mil artistas. Como no meio artístico a ideologia comunista sempre fez mais vítimas, a empresa de Disney não ficou imune a tal pressão. Entretanto, ele recusou-se de forma obstinada a permitir que sua empresa promovesse o coletivismo ou os valores socialistas. A tensão surgiu, culminando numa greve em 1940 cujo objetivo era forçar Disney a fazer desenhos com propaganda pró-comunista ou fechar o estúdio. Por sorte dos espectadores em particular e do mundo em geral, os comunistas não tiveram sucesso. Mas o resultado disso foi o lamentável fato de escritores de esquerda tentarem demonizar a figura de Walt Disney, tanto em vida como postumamente. Mas como o próprio disse na frase da epígrafe acima, não eram os críticos o alvo para entretenimento da Disney, e sim o público. Este agradece! Atualmente, a Disney segue sua trajetória de sucesso, com vendas anuais perto dos US$ 30 bilhões e empregando milhares de funcionários, além de levar a fantasia para milhões de lares no mundo. A obra teve começo pelas mãos de um empreendedor individualista, que encontrou um ambiente de razoável liberdade para poder lutar pelos seus ideais. Disney e América, uma combinação fantástica entre criatividade e liberdade. Eis o legado de Walt Disney.

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