Arnaldo Niskier: o maior desafio da educação

A Academia Brasileira de Letras abriu o primeiro ciclo de conferências deste ano com o tema “Educação e leitura, novos paradigmas”. Está discutindo temas que mobilizam a sociedade brasileira, especialmente na área educacional e particularmente sobre o que será o novo currículo da educação básica. Vêm algumas novidades por aí.

Se a educação é direito de todos, como poderemos nos conformar com a existência inequívoca de 14 milhões de analfabetos adultos (acima de 15 anos de idade)? Esta não é a única brecha do sistema nacional, pois há muitas outras, como a baixa qualidade do ensino fundamental, a desorganização ampliada do Ensino Médio, as agruras do ensino superior e talvez a principal delas: o mau funcionamento dos cursos de formação de professores, além da baixa remuneração do magistério em termos nacionais.

As mudanças no Ensino Médio devem passar pelo enfrentamento de um dos mitos falaciosos que rondam o debate histórico sobre a obrigatoriedade do modelo de Ensino Médio único, igual para todos para “garantir a formação de cidadãos plenos.” A realidade do nosso Ensino Médio revela exatamente o contrário.

Como mostra a experiência internacional, o Ensino Médio deve ser mais flexível e oferecer trajetórias ou percursos escolares distintos, sem prejudicar a garantia de certificação de nível médio para todos que optarem seguir uma trajetória profissionalizante de nível superior ou um curso técnico.

Apesar do aparente consenso sobre a inadequação do currículo do Ensino Médio, a decantada reforma deste nível de ensino vem se somando a outras tantas, como a previdenciária, a tributária e a política, sobre as quais todos, ou ao menos a ampla maioria da opinião pública, manifestam-se a favor da ideia geral, mas há pouco ou nenhum entendimento sobre qual reforma deve ser implementada. Este será um dos maiores, senão o maior, desafio da gestão educacional neste ano.

Fonte: “O Globo”,16 de março de 2107.

Deixe um comentário