O oportunismo dos políticos na Internet

Você considera inteligentes os nossos políticos? De uma hora para a outra todos, sem exceção, passaram a escrever, e, o que é inusitado, muito bem, de um jeito que não combina com o que costumam declarar nas páginas dos jornais ou nas entrevistas de TV e rádio. De repente todos estão no Twitter, nos blogs, nos sites, no Facebook e outras redes. Criaram páginas e passaram a alimentar de conteúdo, às vezes inteligente, os seus seguidores. Pobres seguidores. Só resta saber se alguém, em sã consciência, acredita que sejam eles os autores das ideias e textos, que são eles que tocam o dia-a-dia, que alimentam o conteúdo disso tudo, inclusive como diz meu filho de seis anos na madrugada da noite. Há coisas tão bem elaboradas, tão desconjuntadas em relação ao perfil intelectual de determinados candidatos a cargos eletivos, que mesmo uma pessoa desavisada não se convenceria de que aquela pessoa ali da fotinho foi capaz de fazer, de costurar determinado texto.

Pessoalmente, e até profissionalmente, dezenas de vezes atuei como ghost writer. Um recurso, digamos, providencial àqueles que não se familiarizam muito com as chamadas pretinhas do teclado. E olha que já escrevi artigos para gente muito importante. Mas era entendido como um job, algo especial, sob encomenda, esporádico. Agora não. Há políticos escrevendo dia e noite, muitos no meio da madrugada, até para demonstrar o quanto estão preocupados com as causas do Brasil e para reafirmar ao leitor/eleitor sua atenção em respostar todas as mensagens.

Na madrugada, inclusive, deve haver verdadeiras sessões de incorporação, no sentido espiritual, de pessoas assumindo outras personalidades, muitas delas até abomináveis, daquelas que produzem sustos em eventuais sonhos. O certo é que o mercado está para quem sabe escrever. Imagine o caso de Brasília. São mais de 500 deputados, todos com blogs, sites, twitters, etc. É preciso no mínimo uma pessoa para alimentar cada conjunto desses de mídias digitais. Então, de hora para outra, foram criados 500 empregos. Pense então na parcela de senadores que será renovada, nas bancadas federais, estaduais, nos cargos de governadores e nos de presidente. Lembrando que para cada cargo tem sempre um monte de gente na disputa, o que multiplica ainda mais essa conta.

É duro pensar nisso. Mas estamos sendo ludibriados por pessoas que de repente passaram a entender tudo e de todo grande assunto. De um momento para outro, assim num estalo, ficaram inteligentes, estrategistas, ganharam vocabulário, etc.

Em determinados casos a artificialidade é tão gritante que não convence nem o próprio dono da página. Há pessoas que mal sabem falar, que foram eleitas muitas vezes pela força da grana que, infelizmente, como diz Caetano, ergue e destrói coisas belas. É preciso saber que o dinheiro ainda tem grande interferência em muitos lugares desse Brasil continental. Outras que, digamos, nunca tiveram a educação, própria e dos outros, como uma bandeira de luta. Por isso mesmo fica estranho.

Por isso tudo, resolvi escrever esse alerta. As pessoas vão votar neste ano para a escolha de muitos cargos importantes, a começar pela presidência. Por isso, devem olhar com todo cuidado para a estratégia de cada um. Tem tempo o bastante. Até outubro muita água vai rolar. Daí é bom observar o teor do que escrevem os candidatos, saber até que ponto as pessoas realmente teriam capacidade e discernimento para perpetrar tais frases. Certamente você estará, nesse exercício, eliminando vários nomes que, num primeiro momento, até pareciam bons. Ao final, tenho certeza, ganhará a democracia, vencerão os candidatos que, mesmo um tanto iletrados, ou não se arriscaram nesse caminho ou escreveram e transmitiram suas próprias ideias, as coisas da mesma forma como tratam e se referem no dia-a-dia.

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