O preço de uma opinião financeira

Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encara o seu terceiro embate com o mercado financeiro na administração da presidente Dilma Rousseff, ao definir a nova taxa básica de juros (Selic), que até ontem era de 11,75% ao ano.

Nas duas reuniões anteriores, em janeiro e em março, decidiu-se por um aumento de 0,5 ponto percentual em cada uma.

Será um teste para a equipe de Alexandre Tombini, presidente do BC, mostrar que as chamadas medidas macroprudenciais não estão servindo apenas para aumentar a arrecadação do governo federal, que no primeiro trimestre atingiu o recorde de R$ 228,155 bilhões.

Grande parte do mercado financeiro trabalha com a expectativa de que os juros subam 0,25 ponto porcentual, elevando a taxa a 12% ao ano.

Diferentemente de outras oportunidades em que o Copom se reuniu, sobretudo durante a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitos economistas têm criticado a postura de numerosos colegas em relação aos comentários acerca das decisões da equipe econômica.

Parece que está em curso um movimento semelhante ao surgido nos Estados Unidos logo depois da eclosão da crise financeira mundial, iniciada em 2007 quando, para beneficiar-se do excesso de liquidez internacional, muitas instituições concederam empréstimos a clientes que não tinham capacidade de honrá-los. O mundo foi apresentado aos créditos subprime.

Vários bancos, até mesmo um muito conhecido, chamado Lehman Brothers, empacotavam esses créditos podres em diversas modalidades de títulos e os negociavam ao redor do mundo. Verificou-se um calote em efeito dominó seguido de sucessivas falências, como a do Lehman Brothers em setembro de 2008.

E entidades representativas de economistas americanos começaram a discutir formas de a população saber com clareza quem remunera cada “especialista” que emite uma opinião financeira.

Fonte: Brasil Econômico, 20/04/2011

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