Autor Convidado: Ricardo Santos Gomes

John McCain e Barack Obama eram candidatos bastante distintos. Nos principais temas em debate na eleição americana, eles representavam as posições mais distantes que o eleitorado americano poderia conceber com naturalidade. As posições diametralmente opostas a respeito desses temas (a política externa, a regulação da economia, até o casamento gay) dos candidatos estava em plena harmonia com o histórico dos dois partidos que representam. Republicanos como McCain e Democratas como Obama são facilmente identificáveis por seu ideário.
Essa é a primeira lição para nós, brasileiros: no mundo civilizado, partidos têm ideologias claras, definidas, e conhecidas pelos eleitores. E os candidatos defendem publicamente o que pensam, em direta coerência com a linha do partido. Obama jamais seria nomeado para concorrer pelo Partido Republicano, ainda que suas chances de vitórias fossem esmagadoras. Lá, é melhor perder a eleição com as suas idéias do que ganhar com as dos outros.
A segunda lição diz respeito à liberdade de participação política. Uma verdadeira aula de democracia. As pessoas não são obrigadas a votar, como aqui. Elas decidiram, voluntariamente, passar horas em filas de votação, para registrar seu voto. O número de votantes foi proporcional à importância do pleito. Aprendamos, portanto: se a eleição for séria, haverá votos – e votos convictos.
A eleição de Obama ainda ensinou o valor da liberdade de imprensa. Enquanto no Brasil os meios de comunicação são censurados em época de campanha, nos Estados Unidos as grandes corporações da mídia, e também os pequenos jornais locais, podem abrir seu voto, declarar sua preferência, e defender em editoriais os motivos pelos quais estão fazendo isso. O papel da imprensa na informação do eleitor faz com que os temas em debate ecoem pelo país. Na hora de votar, o eleitor sabe em quem, e por quê, está votando.
A última, e de longe a mais importante lição que a eleição de Obama ensina ao Brasil e ao mundo, é a lição de igualdade de oportunidades que uma democracia de mercado pode produzir. Em 1968, e portanto, há exatos quarenta anos, Martin Luther King Jr. era assassinado por defender a igualdade entre os brancos e os negros – que à época eram legalmente discriminados. Hoje, a maior democracia do mundo elegeu um negro para a sua Presidência. A lição que devemos aprender, é que a democracia e a economia de mercado geram um ambiente de liberdade, onde não importa de onde se parta, se pode chegar ao topo.

Ricardo Santos Gomes é advogado, membro do Instituto de Estudos Empresariais – IEE

(Publicado em Zero Hora em 07/11/2008)

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