O Rio de Janeiro está ficando sujo

O prefeito do Rio declarou nos jornais que não permitiria a construção da CSA, siderúrgica Atlântico Sul, pelo fato de que este tipo de investimento gera graves problemas ambientais e que o número de empregos não compensa os danos ambientais, principalmente, à população que vive em torno da siderúrgica. Na realidade o modelo de desenvolvimento adotado pelo governo do Rio de Janeiro pode ser considerado “sujo”. Petroquímica, siderúrgica, estaleiros, usinas nucleares e termoelétricas apontam como os grandes projetos de investimento do estado para o futuro.

A construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), maior investimento em andamento no país, reforça esse cenário. O projeto, que está sendo instalado em Itaboraí, região leste do estado, prevê a construção de duas refinarias de padrão internacional e uma planta petroquímica. Devido ao seu porte, os impactos ambientais gerados pelo Comperj serão consideráveis. Apesar dos esforços de mitigação via proteção de manguezais e recuperação da mata ciliar da região, a construção de um complexo petroquímica traz inegáveis impactos, como, por exemplo, alterações físico-químicas e biológicas dos meios terrestre e aquático, diminuição da qualidade do ar, risco de contaminação das águas subterrâneas e do solo.

O setor portuário também terá grande aporte de recursos nos próximos anos. Está prevista a construção do Complexo Portuário do Açu, terminal marítimo privado realizado pela LLX Logística que prevê a construção de um terminal portuário em São João da Barra uma usina de pelotização, píeres offshore para receber navios de grande porte e um estaleiro. O Porto de Itaguaí receberá investimentos destinados à dragagem e extensão de um canal de docas. O porto atualmente é utilizado para cargas a granel, como minério de ferro, enxofre e carvão. Após a ampliação, terá capacidade para navios de até 150.000 toneladas. Para isto se faz necessária a realização de vultosas obras de dragagem, para o aprofundamento do canal, o que significa uma intervenção potencialmente poluidora, devido ao revolvimento dos sedimentos e possível remobilização de metais.

Outro gargalo de sustentabilidade do Rio de Janeiro é a geração de energia. No estado estão as duas únicas usinas nucleares do país (Angra I e Angra II), mais a terceira (Angra III), em construção. Além disso, é no Rio onde se concentram a maioria das térmicas a gás natural e uma planta de regaseificação de gás natural.

O Rio de Janeiro deve continuar a promover o desenvolvimento industrial, mas não pode deixar de aproveitar a inigualável oportunidade da Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, para priorizar investimentos em setores da economia que gerem os chamados empregos “limpos”, também, capazes de gerar renda e promover um desenvolvimento sustentável.

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