O Rio Grande que queremos

O principal desafio do próximo governo do Rio Grande será priorizar as muitas necessidades do povo gaúcho, nas mais diversas áreas. Não há dúvidas de que, ao longo dos últimos anos, o Estado conseguiu equilibrar suas contas, por meio de um louvável esforço de melhoria da gestão pública, mas a população ainda carece de educação, saúde, saneamento, habitação e empregos.

Portanto, mais do que atender ao pleito de um ou de outro segmento da sociedade, o grande desafio é focar-se em demandas que abrangem a comunidade gaúcha como um todo. A Agenda 2020, uma iniciativa lançada em 2006, representa um belo trabalho sobre o Rio Grande que queremos. Realizada a muitas mãos, envolveu professores do ensino público e privado, médicos, advogados, sindicalistas, acadêmicos, empresários, funcionários públicos e membros de ONGs, entre outros, que atuaram como voluntários. No total, mais de 150 entidades participaram dessa iniciativa. Em seu início, reuniu aproximadamente 850 representantes da comunidade e, posteriormente, cerca de 5 mil pes- soas, de 200 municípios, votaram na pesquisa que definiu os objetivos prioritários para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Logo após, mais de 350 especialistas e voluntários definiram projetos, metas e indicadores para alcançar os objetivos votados pela sociedade.

Neste momento de debate eleitoral sobre as necessidades do Estado, a Agenda 2020 representa um material valioso e legítimo da sociedade para a reflexão sobre o futuro do Rio Grande. E por que não incorporá-la às plataformas dos candidatos ao governo do Estado? A partir dessa proposta, voluntários da Agenda 2020 devem se reunir com os candidatos ao longo das próximas semanas, buscando uma coalizão em prol do desenvolvimento do Estado, independentemente de ideologias.

Em minha opinião, três temas básicos deles devem ser priorizados – educação, previdência estadual e equilíbrio entre investimento e arrecadação –, mas a decisão sobre isso cabe à sociedade civil. Na área da educação, o Estado vem perdendo posições sucessivamente ao longo dos anos. Como resultado, não conseguimos atingir importantes metas estabelecidas pelo movimento Todos pela Educação, uma iniciativa que envolve a mobilização, em nível nacional, de distintos segmentos da sociedade. Em relação à conclusão do Ensino Fundamental até os 16 anos, por exemplo, nossa meta era de 71,2% até 2009, mas o percentual atingido foi de 65,1%, posicionando o Rio Grande abaixo da média dos Estados da Região Sul e demonstrando a falta de gestão adequada sobre o tema.

Outro problema complexo é o da previdência estadual, cujo déficit consome cerca de R$ 5,5 bilhões do orçamento, recursos que poderiam ser destinados para outras áreas, gerando mais empregos e desenvolvimento. A previdência deveria ser autossustentável, seguindo critérios técnicos. Resolver essa questão é fundamental para aumentar a capacidade de investir. Para se ter ideia, o poder público investiu apenas 0,35% do PIB estadual em 2009.

Portanto, o desafio é priorizar temas relevantes, impulsionadores do crescimento, monitorando o seu desenvolvimento a partir de metas e indicadores. Isso é fundamental para a evolução econômica das diversas frentes do Rio Grande, de forma proporcional e equilibrada, sem comprometer as áreas social e ambiental. Para isso, esses problemas precisam ser enfrentados de frente pelas nossas lideranças, de forma a construirmos o melhor Estado para se viver e trabalhar até o ano de 2020.

(“Zero Hora” – 25/07/2010)

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