Todos os males do mundo decorrem da luta pela posse dos anéis. É um tema recorrente na cultura popular de todas as épocas. O anel dos Nibelungos, por exemplo, objeto da tetralogia de Richard Wagner em meados do século XIX, simbolizava o poder do dinheiro, o ouro do Reno do folclore germânico. “Revoluções varreram a Europa nos anos de 1848 e 1849. Mas quando o povo de Dresden, capital da Saxônia, levantou-se contra o rei, a revolução em Berlim já entrara em colapso. O rei da Saxônia pediu reforços, e as tropas prussianas logo avançaram sobre Dresden. Uma preeminente figura nas barricadas armadas pelos revolucionários das ruas de Dresden era Richard Wagner, 36 anos, diretor musical suplente da Ópera Real, queimada durante os distúrbios. Wagner fugiu para a Suíça, vivendo como andarilho em miserável exílio até ser resgatado pelo rei Ludwig II, da Bavária, que patrocinou a realização de todos os seus sonhos artísticos. Nas origens do que se denominaria socialismo, fervilhavam os planos utópicos para a reconstrução da ordem social, e as exigências comerciais da Ópera de Paris, que rejeitavam as obras de Wagner, alimentavam ainda mais seu ódio pelo poder do dinheiro.” Em “A crise da razão: o pensamento europeu de 1848 a 1914” (2000), J. W. Burrow explica o simbolismo de um libelo anticapitalista na monumental obra de Wagner. A análise de Burrow foi compartilhada por Werner Sombart, para quem, “como dinheiro simboliza a economia capitalista, torna-se o alvo favorito da crítica socialista. Todos os males deste mundo vêm da luta pela posse do anel dos Nibelungos. O socialismo prega a devolução do ouro ao Reno”, segundo relata Ludwig von Mises em “Uma crítica ao intervencionismo”, uma coleção de ensaios escritos na década de 20, em meio à tragédia da República de Weimar. Prossegue Von Mises: “Em todas as variantes e matizes, as idéias do socialismo perderam suas âncoras científicas. E falharam também todos os seus experimentos na última década. Mas nada disso abalou a hegemonia ideológica do socialismo e do sindicalismo. Apesar dos fracassos, de sua inviabilidade, dos maus resultados, é até hoje a ideologia dominante. Os social-democratas subiram ao poder na Alemanha e na Áustria. Em 1918 e 1919, todos os partidos políticos da Alemanha e da Áustria acrescentaram a estatização das indústrias a seus programas.” Hugo Chávez e Evo Morales são também socialistas, revolucionários, nacionalistas e estatizantes. Aos experimentos da Venezuela e da Bolívia, cabe a advertência de Von Mises: “A Alemanha prussiana anterior à I Guerra Mundial era o país mais preparado para conduzir experiências socialistas. A tradição hierárquica militar, a ordem e a autoridade do Estado, a disciplina do funcionalismo público e a inclinação à obediência da população, todos os requisitos para a ordem socialista. Jamais haverá gente mais preparada para administrar uma operação comunitária socialista do que os prefeitos das cidades alemãs à época. Como não haverá gente mais preparada apara administrar empresas estatais do que os diretores das ferrovias prussianas.” Mas os anéis modernos têm outro simbolismo. Em vez de abrir mão do amor para obter o ouro, busca-se agora o poder em nome do amor e da solidariedade. No filme de hoje, Evo Morales suja as mãos de graxa, procurando o anel do poder que já está no dedo de Hugo Chávez.

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