Por Adriano Pires

Com a eleição do candidato democrata Barack Obama para presidente dos Estados Unidos quais mudanças podemos esperar na política energética daquele país e possíveis conseqüências para o Brasil. Em primeiro lugar, Obama vai assumir a presidência tendo de enfrentar uma crise econômica, cujas verdadeiras dimensões ainda estão imperceptíveis para todos. Porém, uma das principais conseqüências da crise é a brutal queda no preço do petróleo. O barril que em julho alcançou quase US$ 150, agora custa menos de US$ 60. Aí surge a primeira questão. Até que ponto os preços baixos do petróleo influenciarão na política energética de Obama. No período de crescimento econômico e de preços altos do petróleo os projetos de energias alternativas ganharam enorme destaque no mundo e, em particular nos Estados Unidos. O argumento para desenvolver esses projetos eram o de fornecer uma maior segurança energética e atender as exigências ambientais. Com a crise, os projetos de energias alternativas terão de enfrentar grandes e novos desafios, por causa do crédito e da queda dos preços do petróleo e do gás natural. As ações das empresas de energia alternativa caíram mais do que o resto do mercado desde o início da crise na bolsa americana. Há um temor que caso os preços do petróleo e do gás continuem caindo, o incentivo para que os consumidores comprem energia alternativa mais cara, diminua.

Foi o que aconteceu nos anos 80 quando ocorreu o chamado contra choque do petróleo e o preço do barril voltou aos níveis do primeiro choque. É bom lembrar que no chamado contra choque em 1986 o preço do barril atingiu US$ 10 e ficou barato durante os próximos 12 anos. Vários projetos de energia eólica, solar e de etanol de milho estão sendo atualmente adiados. O financiamento mundial para energia eólica, solar, biocombustíveis e outros caiu para US$ 17,8 bilhões no terceiro trimestre de 2008, contra US$ 23,3 no segundo trimestre. A perspectiva é que a queda deverá continuar. A história mostra que o Congresso americano sempre elimina créditos fiscais para as energias alternativas quando o preço do petróleo fica baixo. Isso ocorreu nos anos 80. Será que Obama vai seguir essa tendência ou vai incentivar as chamadas energias limpas?

Muitos afirmam que Obama vai exigir das empresas automobilísticas americanas que enfrentam enormes dificuldades de sobrevivência, investimentos em motores híbridos que utilizem biocombustíveis. Tradicionalmente os governos democratas são mais protecionistas que os republicanos. Nesse sentido, caso Obama elabore uma política energética com os vetores de segurança e meio ambiente, é provável que os subsídios ao etanol de milho bem como as barreiras alfandegárias ao etanol brasileiro sejam mantidos. Como explicar subsídios à energia eólica, solar, carro elétrico e retirar o mesmo benefício do etanol de milho.
Dados todos esses fatores, ainda é difícil prever qual será a política energética de Obama. Entretanto, não tenho dúvida que um maior desenvolvimento e penetração das chamadas energias alternativas dependerá de por quanto tempo o crédito ficará restrito e até onde cairão os preços do petróleo e do gás natural.

Publicado no blog de Adriano Pires em O Globo.

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