Oposição medrosa

Juarez Dietrich

Fala-se, com certa razão, que não há oposição real ao governo do PT. É que estamos acostumados a assistir o padrão PT de fazer oposição. Eles faziam a coisa radicalizada, permanente e furiosa, ainda que às vezes por proselitismo ou por oportunismo – sem compromisso com razão ou verdade, mas com eleições. De fato, hoje em dia não se faz isso. A pequena base de oposição apenas denuncia e se opõe ao óbvio – o mal feito, mas fica nisso, no mote fácil.

Acontece que as pesquisas e as urnas estão mostrando que isto tem sido insuficiente. De certo modo o eleitor realmente comprou a idéia do governo (do PT), de que todos os políticos são potencialmente iguais, às vezes exatamente iguais, no terreno moral. A rigor, opor-se à roubalheira é algo que qualquer um faz, teoricamente. E o partido político e o parlamentar têm o dever de cumprir o seu papel fiscalizador até as últimas conseqüências – coisa, aliás, que deixaram de fazer no governo anterior. Porém isto (só) já não configura mais o papel capaz de convencer a opinião pública, e de ganhar eleições.

Por isso que, além de combater o mal feito, a oposição precisa dizer algo mais, ter coragem e mais clareza para dizer ao que ela se opõe realmente, oferecer razões pelas quais discorda não apenas dos mal feitos deste governo, e também aquilo que a opõe estruturalmente ao sistema econômico (sobretudo), além do sistema político que o PT representa, deixando o País atado às amarras governamentais e corporativas, sem condições de sair da miserável 123ª posição no índice de Liberdades Econômicas (www.heritage.org) ou da ridícula 126ª posição no índice do Banco Mundial (www.doingbusiness.org) para medir as dificuldades de fazer negócios nos países.

São índices que mostram como é ruim o sistema econômico brasileiro, misturadas como são política e economia. O Estado age com a sociedade e com o mercado como o peixe-pirata age com o tubarão: ronda os negócios, políticos amontoados nele, para tomar algum dinheiro fácil. São inúmeras as justificativas e proselitismos destes cartéis de coisas inúteis ou acessórias, a começar pela alta tributação.

Este medo incompreensivelmente terrível de ser considerado liberal, néo-liberal ou de direita, leva a quase unanimidade dos políticos nacionais a não questionar o sistema econômico, a não dizer claramente que está faltando liberdade econômica no País, que está faltando diminuir impostos, diminuir o Estado, mudar esta Constituição dirigista de uma economia amarrada, acabar com toda esta burocracia e com os sistemas cartoriais. Sobretudo dizer com todas as letras o que vem a ser tudo isto, dar nomes a todos os bois.

Há basicamente dois caminhos para fazer oposição a este governo e a este sistema econômico: o caminho da ampliação das liberdades econômicas (mais liberdade, mais modernização do País, da sociedade e do mercado), e o caminho da diminuição delas (mais socialismo, mais Estado), como ainda pensa uma minoria. O atual governo está em cima do muro entre estes caminhos.

Liberdades econômicas significarão para a cidadania algo como a emancipação tardia, o amadurecimento, vida real e melhor, o desate da dependência do Estado, esta nossa babá ciumenta, possessiva e violenta.

Impostos menores é uma demanda tão óbvia quanto o livramento da estúpida burocracia estatal nos negócios privados. É demais o interesse do Estado em querer saber exatamente para onde irão os investimentos que chegam ao País.  Gastos dos governos, inúteis e enterrados, são tão absurdos quanto a fúria fiscalizadora deles nos negócios e recursos privados. A questão trabalhista é um escândalo maior do que a própria corrupção enraizada na cabeça da burocracia e da política nacional. E o direito de propriedade, que tem sido relativizado por juízes e governantes, por absoluta demagogia.

Nenhum partido político está falando disto com clareza por falta de coragem. Não há um projeto e um pensamento elaborados e visíveis, e não há, portanto, um partido que se oponha frontalmente ao sistema e ao governo do PT. Que diga: é preciso mais mercado e menos estado; mais investimentos e menos impostos. Todos eles têm medo de ser considerados “de direita” – o que é mais um absurdo e faz da antigamente boa social democracia esta coisa amorfa no Brasil, situada entre o PT e o PSDB. E o eleitor não distingue mais.

A Europa tem mostrado que a social democracia precisa ser revisitada também aqui, pelos que a defendem e conceituam. O Estado da social democracia não pode mais ser aquele estado europeu em idealizávamos (e já nem era tanto assim). Os sistemas econômicos europeus de manual, de cartilha, estão condenados a ser mais livres e criativos, logo após a quebra geral em curso. Liberdade econômica e estados menores é a saída para a pesada Europa, e todos já perceberam.

Nem é o caso falar de capitalismo, uma palavra tão antipática quanto comunismo. Mas é o caso falar nas liberdades plenas de uma sociedade aberta; de produtividade, empreendimento, inovação e produção de riquezas. Nem é o caso também, falar nas pessoas mais pobres ou nos miseráveis. É o caso, sim, falar do Estado eficiente, que deve tratá-las com dignidade e sem demagogia. Falar só neste assunto é como falar só na roubalheira. Não resolve. O que resolve é produzir riquezas com liberdade.

 

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1 comment

  1. Branda

    BRAVO!