Os “apaguinhos” têm solução

Adriano-Pires Instituto Millenium

Os chamados “apaguinhos” têm incomodado muito a população da grande maioria das cidades brasileiras neste verão e, provavelmente, continuarão a causar transtornos durante os próximos anos.

As razões são bastante conhecidas, porém todo o ano a população sofre com o problema dos “apaguinhos” e parece não haver solução. Os “apaguinhos” têm solução? Têm.

A primeira seria a Aneel dar mais poder de fiscalização e regulação para as agências reguladoras estaduais. Num país com a dimensão continental do Brasil é impossível, além de ser caro, fiscalizar e regular, através de uma agência localizada em Brasília, de forma eficiente o conjunto das distribuidoras de energia elétrica.

Porque não descentralizar essas funções, dando poder aos Estados, como já ocorre atualmente em relação a distribuição de gás natural? É preciso modernizar a gestão do setor de energia, e uma medida a ser implantada é a de dar mais poder aos estados.

A segunda solução seria a modernização da produção de energia elétrica e isso passa pelo incentivo a cogeração através da chamada geração distribuída. A cogeração é a geração simultânea e combinada de energia elétrica ou motriz a partir de uma única fonte de energia.

A cogeração constitui-se em uma das formas de geração distribuída, geração elétrica realizada por pequenas unidades próximas ao consumo. A cogeração apresenta diversas vantagens. Poderíamos destacar a redução da dependência da geração centralizada, o que contribui para a estabilidade do sistema de distribuição e que tem sido uma das causas dos “apaguinhos”.

Se o governo zerou o IPI nos automóveis, porque não fazer o mesmo nos equipamentos de cogeração

Outra vantagem é a eliminação da necessidade de grandes investimentos em transmissão e distribuição de energia. No caso da distribuição os custos, como por exemplo, enterrar toda rede de fios, os antigos e os novos.

Se a cogeração e a geração distribuída é uma solução, porque a sua importância é tão pequena no Brasil? O que poderia ser feito? Em primeiro lugar seria preciso romper com uma inércia que está presente, tanto no governo federal como nos governos estaduais.

Da mesma forma que o governo publicou uma Medida Provisória que depois virou lei reduzindo o preço da energia, porque não a publicação de uma Medida Provisória para incentivar a cogeração e com isso atingir o objetivo de dar maior segurança ao suprimento de energia, sem falar na geração de empregos.

Se o governo zerou o IPI nos automóveis, porque não fazer o mesmo nos equipamentos de cogeração.

A centralização das decisões sobre o setor elétrico no nível do governo federal limita bastante as políticas estaduais de incentivo a cogeração. Mais há espaços e o governo de São Paulo poderia sair na frente e adotar medidas fiscais como a redução de ICMS em equipamentos de cogeração, implantar sistemas de cogeração em prédios e hospitais do Estado, negociar com empresas geradoras e distribuidoras de energia elétrica a construção de plantas de cogeração.

Os municípios, também, poderiam dar a sua contribuição só dando novas licenças de obra para prédios, hospitais e shoppings que possuam geração distribuída. Quem sabe até reduzindo o IPTU.

Fonte: Brasil Econômico, 14/03/2013

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2 comments

  1. Rosely

    A Alemanha já produz duas Itaipús em energia solar!

    Enquanto isso, no país tropical abençoado por Deus “os especialistas” a consideram inviável!

  2. HugoSiqueira

    “O acionamento das UTE durante todo o ano de 2013 indica que o novo paradigma hidrotérmico veio para ficar, o que exigirá um esforço muito grande da política e do planejamento energético, que terá que alterar práticas, ações, métodos e modelos computacionais”. Nivalde de Castro.
    Não só isso, diríamos, processos que levem em conta o aproveitamento integral do combustível na produção e consumo das 2 forma de energia: calor e eletricidade que são indissociáveis. Não se pode aperfeiçoar um sem negligenciar o outro.
    Não se pode perder de vista que o consumo de energia para finalidade de aquecimento é muito maior do que a produção energia elétrica propriamente dita.
    Agora, é a mudança estrutural para utilização permanente de térmicas na base que afasta hidroelétricas para a ponta, tornando disponíveis grandes quantidades de energia secundária, as quais produzem cada vez menos energia (mais potência em período curto).