Os jovens e seu tempo

Dia 12 de agosto é Dia Internacional da Juventude,Instituto Millenium dedica a semana ao tema.
O Imil fomenta a discussão sobre perspectivas para o jovem hoje através de artigos como este, assinado por Sergio Lewim, advogado, Ex-Presidente do IEE – Instituto de Estudos Empresarias e do Instituto Liberdade/RS, ainda através de vídeos e outros textos no blog.

Acompanhe a semana em nosso site.

Os jovens e seu tempo

Inicio contando duas histórias: um estudante de segundo grau foi contratado para trabalhar como office-boy em uma auditoria internacional. Aos poucos foi ganhando confiança dos seus chefes, até ser convidado para se tornar um trainee. Ocorre que, nesse meio tempo, assistindo as aulas de história, foi tomado de ódio pela globalização e pelas empresas multinacionais. Não aceitou o convite, desligou-se da empresa e passou a estudar biologia na faculdade. Embora muitos textos fossem em inglês, o rapaz se negava a aprender a língua. Quando desejou fazer um mestrado, não foi aceito justamente por seu desconhecimento do idioma. A outra história é de um rapaz que, também nos bancos escolares, se enamorou dos modelos cubano e chinês. Este jovem, em seu aniversário, foi presenteado pelo pai com um tablet, porém rejeitou o aparelho, por ser um ícone do imperialismo. O pai ainda tentou argumentar que era um ícone sim, mas da qualidade tecnológica e da liberdade. Explicou que em Cuba ou mesmo na China sequer poderia utilizar o aparelho, pois lá os sites são proibidos ou censurados pelo governo. Nada adiantou.

Essas duas histórias revelam que nossa juventude, apesar de já ter nascido após o esfacelamento do muro de Berlim, continua respirando em um ambiente intelectual envenenado e avesso a economia de mercado. O próprio regime militar, que colocou os movimentos estudantis na clandestinidade, contribuiu para a áurea de romantismo e charme hoje desfrutados pela militância de esquerda.

Resulta que os jovens continuam apegados a idéias políticas já falecidas e à mística fashion de que ser rebelde é usar roupas esfarrapadas e erguer barricadas em prol da luta de classes. Enquanto esta mística não for desfeita, será difícil trazê-los de volta a arena política para apoiar as causas que realmente importam, as causas e idéias do seu tempo. Bandeiras que, embora menos românticas do que “a propriedade é um roubo” de Proudhon, ou “é proibido proibir” de Maio de 68, podem fazer a diferença em seu futuro: menor presença e tributação estatal, incentivos para a criação da primeira empresa, maior abertura comercial são apenas alguns exemplos. Fica, porém, muito difícil defender estas bandeiras enquanto for vergonhoso trabalhar em uma empresa estrangeira, estudar a língua inglesa ou aceitar um tablet de presente de aniversário. Completando as duas histórias acima, o estudante de biologia, hoje mais maduro, se encontra morando na Austrália para aprender inglês e, após o seu retorno, pretende ingressar no mestrado de biologia. O rapaz do tablet agora utiliza o equipamento horas a fio e se prepara para prestar o vestibular para engenharia elétrica, pois quer trabalhar com tecnologia. Ou seja, a inteligência acaba prevalecendo, mas quanta perda de tempo! No dia 12 de agosto, em que a ONU comemora o Dia Internacional da Juventude, talvez essas reflexões possam servir para alguma coisa.

 

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6 comments

  1. Rodrigo DIniz

    Me sinto mal lendo esse texto, por que eu também perdi tempo demais. Nas horas de otimismo, acho que dá para recuperar o tempo perdido, nos momentos de pessimismo lamento o tempo desperdiçado pela falta de pensamento crítico.

    O importante é aceitar a lógica e a razão e tentar ser feliz num mundo livre e, por isso, justo.

  2. Míriam Martinho

    Todos fomos esquerdiotizados no Brasil recente, situação agravada pelo fato de a última ditadura militar positivista ter sido anticomunista. Isso permitiu q a esquerda (inclusive a armada) pudesse posar de vítima e de redentora do Brasil democrático.Quaisquer outras ideias foram praticamente varridas das universidades, da cultura em geral e mesmo da política.Não será fácil limpar tantos anos dessa doutrinação autoritária, mas não nos resta outra alternativa senão tentar. Liberta quae sera tamen.

  3. Bruno

    Visão míope, mesquinha e maniqueísta do mundo.

    Se o futuro do liberalismo está nas mãos de jovens como Sergio Lewin, como esquerda, durmo sossegado.

    Tornar o outro jovem que não está de gravata e não consegue se comunicar em inglês em inimigo a ser convertido é ignorar o que acontece em Tottenham, Tel-Aviv, Chile…

    Fico tranquilo sabendo que seu jogo é apenas o de ‘soma zero’. Onde para tu ganhar o outro deve perder. Fico tranquilo se os outros jovens o ver assim.

  4. Rodrigo

    O Bruno ainda acredita no papo furado de que o capitalismo é um jogo de ‘soma zero’ e o Sergio Lewin é que é o míope?! E quem falou em converter inimigos? Isso é coisa de seitas, como a socialista. Se os dois jovens citados como exemplo no texto foram convertidos, o foram pela sua própria experiência e pelo uso da razão.

  5. Bruno

    Para começar Rodrigo, acredito que é apenas no ‘fantástico mundo de Sergio’ é que há uma correlação direta entre apoiar um regime e odiar um aparelho de alta tecnologia.

    Daí ter dito ‘jogo de soma zero’. O Sergio considera que para estudar eletrônica deve odiar Cuba ou China (que é onde estão sendo produzidos os eletrônicos que ele consome).

    É nisso que considero esse pessoal. Outro exemplo.

    Meu comentário sobre soma zero foi sobre o Sergio e não sobre o capitalismo.

  6. Brazileiro

    Orra, muito bem colocado seu ponto de vista! Vou “twitta-lo” e já meditando em suas palavras!!!

    Bom dia!